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		<title>Blablalab - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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		<title>DQ52</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 52 – Segunda, 7 de Abril de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 55, 56 e 57 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Altisidora-lolita.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentário aos capítulos 55, 56 e 57 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desenrolar do reencontro do cavaleiro e do escudeiro no capítulo 55 sintetiza muitos dos rasgos mais representativos da escrita cervantina e da estrutura em “mosaico” de que esta se compõe. Por um lado a queda na cova de Sancho e do seu ruço, não deixa de ser uma paródia de uma outra paródia: a da descida de Dom Quixote na cova de Montesinos; e o modo um tanto alucinado com um certo ar de irrealidade com o qual é narrado, não deixa, aos olhos deste leitor, de parecer-se com o estilo em que virão a desenrolar-se muitos dos encontros dos ''Trabalhos de Persiles e Segismunda'', a última novela do nosso autor, que apesar do seu tom assumidamente épico, não deixa de surpreender recorrendo a um exotismo assumido, ao ponto de denominá-la “''história setentrional''”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mudanças às que, como as vivências das últimas situações e aventuras dos últimos episódios, foi submetido Sancho, dão lugar ao uso de uma nova técnica que se pode considerar como caracterizadora da própria novela moderna. Cervantes não parece ter procurado tentar criar um aprofundamento psicológico determinado, nem tão pouco uma coerência orgânica como a que distingue os personagens e protagonistas da narrativa europeia a partir do século XVIII. Sancho Pança conjuga ainda muitas características das tradições literárias populares cómicas e se não resulta unidimensional é porque a sua rusticidade alterna com uma astúcia e ternura que, sem ser exatamente uma evolução psicológica gradual e coerente, oferece ao leitor uma variedade de matizes da sua personalidade verdadeiramente surpreendente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste capítulo, Cervantes aperfeiçoa a técnica com a qual mantém o equilíbrio entre o “Sancho néscio” e o “Sancho sábio”. O tradutor já tinha julgado apócrifo o capítulo V desta segunda parte, porque nele «''habla Sancho Panza con otro estilo del que se podía prometer de su corto ingenio y dice cosas tan sutiles, que no tiene por posible que él las supiese''». Um tal comentário deixa entrever dúvidas quanto a verosimilitude de tão abrupta mudança; mas agora, a caracterização parcialmente diferente de Sancho é o resultado de meios narrativos e estilísticos. O solilóquio da cova, a mistura de refrões na resposta ao estudante, os cómicos neologismos na despedida aos duques dão forma a uma nova atitude vital e por outra parte harmonizam-se com os comentários irónicos do narrador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito aos deslizes narrativos – a discordância entre as léguas recorridas, os dias a frente do governo, etc. – é interessante ressaltar que podem corresponder a um propósito de comicidade e não ao descuido, não sendo, de todos modos, fácil resolver a dúvida que se pode estabelecer em cada caso, já que aliás, na linguagem do narrador, Cervantes introduz certos coloquialismos ao mesmo tempo que põe na boca de Sancho rasgos artificiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguir-se-ão o fim e a resolução da demanda da Dona Rodrigues com o até agora demorado torneio. Neste, tudo se cruza e intromete, e finalmente é o amor quem fere ao lacaio Tosilos que se declara vencido e disposto a casar-se com a ofendida donzela. DQ vence uma vez mais sem haver combatido, o duque, vê arruinada a sua bem premeditada burla e as damas ofendidas no começo protestam pela suplantação do marido. Uma vez mais, o que se nos tinha apresentado como engano acaba resolvido como um problema real, pondo as coisas no seu sítio, se bem que de um modo inesperado e torto. O amor, poder universal que tanto subjuga duques como pobres, tinha ferido o peito de Tosilos que decide tomar por mulher a filha da dona, mesmo com as suas manchas, para bem ou para mal e esta, após o seu protesto inicial termina por aceitar a proposta, preferindo ser mulher legítima de um lacaio a “amiga” de um cavaleiro, mesmo se o seu sedutor não o fosse exactamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As expectativas anunciavam um Dom Quixote outra vez moído, e será atribuída aos encantadores a mudança do fidalgo em Tosilos, apoiada por Sancho com os exemplos recentes do Cavaleiro dos Espelhos e de Dulcineia. O duque conforma-se, não sem deixar de castigar quem lhe arruinou a burla, mas também fica claro que a corte do duque já não dá mais de si, e este final rarefeito não faz talvez mais que sublinhar a vontade de Cervantes e Dom Quixote de abandona-lá definitivamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chega assim o dia em que Dom Quixote retoma a vida errante própria ao seu oficio de cavaleiro andante. Após despedir-se dos duques, quando Sancho e seu amo já estão dispostos a partir, são detidos pelas queixas da desconsolada Altisidora. Comparações feitas por ela mesma com a sorte de Ariadna, a Olímpia do Orlando Furioso, abandonada pelo seu esposo Vireno, e Dido, e o modo como ela usa da palavra são decisivos para a compreensão daquilo que Altisidora representa. Efectivamente Cervantes nesta ocasião insiste na “discrição” com a qual a moça se mostra capaz de aventurar-se no terreno da burla verbal, com uma desenvoltura tal que espanta a própria duquesa. O duque, por sua parte, colabora com a pícara graciosa despedida da donzela, ressaltando no detalhe mais escabroso da mesma, a saber que seja devolvido um par de ligas que, segundo afirmou a jovem, leva indelicadamente o ingrato cavaleiro que a abandona. Assim, Altisidora dá uma última satisfação aos seus senhores ao reservar-lhes esta surpresa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já conhecemos o prazer que tinha Cervantes na invenção de caracteres de raparigas bonitas, discretas e muito dotadas retoricamente, mas no caso de Altisidora e a sua queixa através do romance em quartilhas, posto na moda por Lope de Vega, talvez não esteja desprovida de segundas intenções polémicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap55/default.htm CAPÍTULO LV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap56/default.htm CAPÍTULO LVI]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap57/default.htm CAPÍTULO LVII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ficheiro:Altisidora-lolita.jpg</id>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: Criou nova página com '{{menu secção 2}}   Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal]   comissariado por Alvaro García de Zúñiga, [http://www.teatrosaolui...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 52 – Segunda, 7 de Abril de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 55, 56 e 57 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes capítulos finalizam a alternância dos anteriores dedicados a DQ ou a Sancho separadamente, e isto por sua vez preanuncia o próximo fim da estancia dos nossos heróis na corte dos duques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitulo 52 como o anterior, começa com uma referencia a Cide Hamete que não parece significativa, mas que, de todos modos serve a que tenhamos presente quem é que está a narrar esta verdadeira história. Mais importante talvez seja o anúncio que DQ começa a meditar em abandonar o castelo e retomar o caminho da andante cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escrito um bocado ao modo dos próprios livros de cavalarias, nos quais a estadia num palácio serve como parêntesis das fantasiosas batalhas e para desenvolver neles as histórias de amor galantes, o modo de Cervantes, como sempre, altera o modelo mas sem deixar de referi-lo, com a aparição de duas mulheres viúva uma, órfã a outra, a pedir reparação e justiça. Trata-se da continuação do episódio de Dona Rodrigues, que parecia já acabado e esquecido: agora a dona faz-se conhecer, e, cumprindo todos os requisitos do género, pronuncia um divertido discurso num estilo que calca aqueles que em semelhantes ocasiões se podem ler nos livros de cavalarias, não deixando de parte nem sequer os arcaísmos, isso sim, agora misturados com expressões vulgares que denunciam a verdadeira condição da demandante. O discurso, pode-se dizer, continua a sua descida e, ao chegar às cartas de Teresa Pança, talvez venha a assinalar a equivalência de classe entre estas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta de DQ não pode ficar atrás do tom e do estilo impostos pela dona e assim, num arranque emocional, eleva-se até equiparar-se com a divina providência, para logo rectificar o excesso e voltar a um tom um bocado mais de acordo com as circunstâncias. A exaltação fica em evidência no momento em que aceita rebaixar-se a combater com um vilão, coisa esta fora da ordem da cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O duque vê mais uma ocasião que não desperdiçará para fabricar uma nova burla a partir desta inesperada e surreal realidade que se apresenta: prepara-se para a realização de um torneio, mas mais uma vez a acção fica suspensa pela chegada do pajem com as cartas de Teresa Pança. Estas cartas vêm em certo modo também fechar o conjunto epistolar anterior: a carta de Sancho a Teresa no cap.36; a do duque a Sancho no cap.47; a da duquesa a Teresa Pança no cap.50; e as de DQ a Sancho e a resposta deste no cap.51. Toda elas, comportam um certo grau de paródia ao género epistolar, naquele tempo muito apreciado pelos humanistas e os teóricos políticos e filosóficos. Também como nas novelas que contêm epístolas, as cartas servem de reflexão sobre as histórias ou episódios que nelas se inserem, mas nas de Teresa Pança, além destes aspectos paródicos evidentes, Cervantes desenha um quadro de costumes muito realista, desenhando a partir de uma grande sensibilidade social e, partindo da burla habitual que é feita aos rústicos, e não deixando de lado a ilusão e credulidade de Teresa e a sua filha, para chegar depois a outros aspectos da realidade quotidiana: o preço do pão e da carne, a carência de bolotas, a falta de azeitonas e de vinagre em toda a vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra utilização que faz Cervantes do género epistolar diz respeito a um dos recursos mais importantes e característicos de sua escrita: a descrição dos mesmos feitos desde perspectivas diferentes e às vezes também diferenciadas segundo o destinatário a quem se vai contar. E mais correspondências vai estabelecer o autor a partir das notícias que dá Teresa e que parecem não ter muita importância, assim à do pintor que não domina a sua arte – pequena história moral, que não deixa de ter uma componente social e de classe – segue a das moças que foram levadas pela companhia de soldados, que não deixa de corresponder com o caso da filha de dona Rodrigues, mas que classe social de por meio, no caso das aldeãs pobres, não terá resolução de honra, como vai ter que ser o caso da filha da dona que foi seduzida pelo filho dum lavrador rico o qual apoia o duque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes ainda da eco ao sucesso de Sancho através de uma das cartas de Teresa e a seguir a este canto triunfal, muda de tonalidade com o lamento que põe na boca de Cide Hamete que nos adverte que nada perdura e que a vida humana não é mais que vaidade. E assim, durante a sétima noite do seu governo, o barulho da “rebelião” vai acordar duplamente a Sancho. Os gritos, os archotes acesos no meio da escuridão, e com o pretexto de equipá-lo para o combate, a sua imobilização, a queda e o caminharem-lhe por cima – coisas estas muito mais terríveis que o manteamento que tanto tinha feito sofrer o escudeiro e do qual tanto se tinha queixado e falado na primeira parte, dão lugar à decisão – esta sim, irrevogável – de abandonar o governo e a ínsula imediatamente, coisa que faz sem contemplações e sem seguir nenhuma das consignas que lhe são solicitadas, que aliás correspondem ao sistema de corregimentos da época. A resposta de Sancho é simples e contundente: ele não tem que aceitar nenhuma inspecção, porque vai-se embora tão pobre quanto chegou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ridiculizado e até cosificado não só pelos seus “governados” senão até pelo narrador, pode-se ler entrelinhas uma visão espiritualista que transfigura o fracasso em trunfo: ao chegar o sétimo dia Sancho vai ter finalmente direito ao repouso. Com humildade, com santidade até, abandona o poder terreno, renuncia à ambição mundana e mostra-se assim finalmente sublime, não só pela sua renúncia, Senão pela sua actuação como provedor de justiça, muito por cima da dos governantes da realidade: Sancho não se enriqueceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da utopia carnavalesca que representa todo o episódio de Barataria, o desenlace também pode ter uma leitura militar: Bom juiz e administrador, Sancho mostra-se mau capitão, incapaz de enfrentar-se com uma rebelião armada. Confirmando nesse sentido a ideia expressa por DQ no seu famoso discurso da primeira parte (I, 37-38), no qual diz que o valor guerreiro é insubstituível. A colisão entre o enfoque da utopia carnavalesca e o discurso das armas e das letras, inclusivamente quando a renúncia de Sancho significa um regresso à ordem normal das coisas, representa uma certa mordacidade satírica contra o afã de lucro frequente e também contra a pretensão dos letrados da época de usurpar cargos que, segundo DQ e o próprio Cervantes correspondem aos próprios soldados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos modos encontramo-nos no momento mais alto da evolução de Sancho como pessoa. Ele acaba de mostrar-se muito sagaz relativamente às suas capacidades de julgar a conduta humana, incluindo a sua própria, e valorizará a sua renúncia do governo no momento de ser sincero com seu ex-vizinho o mourisco Ricote que por sua vez lhe vai contando segredos muito comprometedores. Fiel ao orgulho que sempre tem demonstrado da sua condição de cristão velho, Sancho vai se negar a participar  na pesquisa do tesouro escondido pelo seu vizinho e não vai ajudá-lo encobrindo-o. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes serve-se de Sancho como testemunha para relatar feitos que comocionam a vida espanhola de aquele tempo. A expulsão dos mouros ainda não é História, mas actualidade na Espanha filipina, e trata-se de uma questão social e política de envergadura que preocupa particularmente ao autor, que também falará dela no Persiles. É muito original o modo que Cervantes utiliza: Confessando ter chorado aquele dia, Sancho conta a saída dos mouros da sua vila a um deles, ausente naquele dia, e que saberá pelo conto de Sancho como, rodeadas do afecto impotente dos vizinhos,  viveram essa má hora a sua mulher e a sua filha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tratamento da expulsão mantém-se fiel aos feitos, inclusivamente na caracterização das atitudes humanas. Nesse sentido, a história mais interessante talvez seja a do cunhado de Ricote, que representa a posição maioritária do mouro cripto-musulmano, totalmente indefinido religiosamente o que o leva a tentar soluções alternativas à emigração para terras islâmicas, tudo aquilo que era muito comum nos novos convertidos, assim como a piedade católica que é atribuída à mulher e à filha de Ricote, e a integração deste num grupo de pedintes alemães, a dor dos vizinhos, e a força do namoro do morgado rico, que apoia-se aliás em vários escritos que deploram a capacidade de sedução das mulheres mouriscas. Cervantes dá-nos a conhecer o perfil de uma família de novos convertidos e como esta vive o processo de assimilação no momento em que se pratica o desterro. Difícil de esquecer, evidentemente a influência dos anos de cativeiro sofridos pelo autor no momento de narrar um episódio que diz respeito à relação do homem com os outros, a das minorias com a sua terra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
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[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap55/default.htm CAPÍTULO LV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap56/default.htm CAPÍTULO LVI]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap57/default.htm CAPÍTULO LVII]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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'''[[DQ52| 52ª SESÃO - SEGUNDA FEIRA 7 de Abril 2014]]'''&lt;br /&gt;
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[[Ler Dom Quixote 3 | A terceira temporada de Ler Dom Quixote no Teatro São Luiz começou na segunda-feira 30 de Setembro 2013 !!!]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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'''[[38| 38]]'''&lt;br /&gt;
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[[image:FMR_38_ensaio.JPG|150dpx]]    &lt;br /&gt;
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'''[http://teatrodarainha38.blogspot.pt/ O blog do 38]''' com textos de '''Fernando Mora Ramos'''&lt;br /&gt;
e '''Alvaro García de Zúñiga'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
('''[http://www.teatro-da-rainha.com/index.html Teatro da Rainha] &amp;amp; blablalab''')&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no [http://www.ccb.pt/sites/ccb/en-EN/Pages/default.aspx| '''CCB'''] em Maio 2014&lt;br /&gt;
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[[image:escipion.jpg|180dpx]]  [[La Numancia]] de [http://bib.cervantesvirtual.com/bib_autor/Cervantes/ ''Miguel de Cervantes'']&lt;br /&gt;
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Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
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[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
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(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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Caros internautas,&lt;br /&gt;
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Este é um site tendencialmente multilíngue... por isso as versões nas diferentes línguas não são iguais e podem às vezes até ser poluídas com línguas outras...&lt;br /&gt;
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Em todo o caso, para facilitar, a informação vai sendo arrumada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/es espanhol] [[image:Bandeira-Espanha.jpg|15px]], &lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/fr francês] [[image:Bandeira-França.jpg|15px]] &lt;br /&gt;
e há também conteúdos em [http://blablalab.net/de/index.php?title=Hauptseite alemão] [[image:Bandeira-Alemanha.gif|15px]] &lt;br /&gt;
e em [http://blablalab.net/en/index.php?title=Main_Page inglês]  [[image:Bandeira-UK.jpg|15px]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa visita!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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				<updated>2014-03-24T14:24:31Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
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'''[[DQ51| 51ª SESÃO - SEGUNDA FEIRA 24 de Março 2014]]'''&lt;br /&gt;
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[[Ler Dom Quixote 3 | A terceira temporada de Ler Dom Quixote no Teatro São Luiz começou na segunda-feira 30 de Setembro 2013 !!!]]&lt;br /&gt;
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'''[[38| 38]]'''&lt;br /&gt;
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[[image:FMR_38_ensaio.JPG|150dpx]]    &lt;br /&gt;
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[[image:38front.jpg|150dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''[http://teatrodarainha38.blogspot.pt/ O blog do 38]''' com textos de '''Fernando Mora Ramos'''&lt;br /&gt;
e '''Alvaro García de Zúñiga'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
('''[http://www.teatro-da-rainha.com/index.html Teatro da Rainha] &amp;amp; blablalab''')&lt;br /&gt;
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Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
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pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
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Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
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[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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Caros internautas,&lt;br /&gt;
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Este é um site tendencialmente multilíngue... por isso as versões nas diferentes línguas não são iguais e podem às vezes até ser poluídas com línguas outras...&lt;br /&gt;
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Em todo o caso, para facilitar, a informação vai sendo arrumada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/es espanhol] [[image:Bandeira-Espanha.jpg|15px]], &lt;br /&gt;
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e há também conteúdos em [http://blablalab.net/de/index.php?title=Hauptseite alemão] [[image:Bandeira-Alemanha.gif|15px]] &lt;br /&gt;
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Boa visita!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ler_Dom_Quixote</id>
		<title>Ler Dom Quixote</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ler_Dom_Quixote"/>
				<updated>2014-03-23T15:17:18Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''Ler Dom Quixote'''&lt;br /&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por  [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] e [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
tradução de '''[http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=10487 Miguel Serras Pereira]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ler_Dom_Quixote_new2013.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Temporada 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Não foi realmente premeditado o facto de começar-mos o ano pela leitura dos capítulos 43, 44 e 45. Terminada a historia do cautivo, no capítulo 42, com o qual despedimos 2012, podemos dizer justamente que nestes capítulos começa uma nova etapa, na qual as historias “exteriores” ao relato das aventuras do cavaleiro da triste figura e o seu escudeiro, se intercalam umas com as outras. Mas não se trata só disso: Cervantes começa a desenvolver algo até então nunca intentado, uma nova narrativa na qual mistura-se literatura e vida.''&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro &amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Textos de Alvaro Garcia de Zúñiga acerca do Quixote:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Anotaciones_DQ.pdf| Anotaciones sobre Don Quijote]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQgesta | Algumas informações sobre as Canções de Gesta]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Terceira temporada LDQ | A propósito do começo da Terceira Temporada de LER DOM QUIXOTE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQsputnik.jpg|80dpx]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Próximas sessões a partir de finais de Setembro 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntar no São Luiz, a cada duas semanas, uma comunidade de leitores. Abordar, como se fôssemos piratas, um texto monumental que vai demorar cento e vinte e seis sessões a ler. Ou seja, um projecto que sabemos quando começa mas ainda não sabemos, nem queremos, quando acaba. Um gesto que sussurrará permanentemente um sub-texto que nos faz bem ouvir. Para nos lembrarmos de como somos frágeis e também fortes, de como é a nossa errância que produz ficções com que nos enchemos de bravura ou paixão. Para nos lembrarmos das interrogações universais que levantamos a cada passo que damos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. Por isso mesmo, nada poderia fazer mais sentido. Neste momento, como de resto em qualquer outro, porque na realidade estamos sempre no tempo do Dom Quixote. Assim sendo, lá iremos espetarmo-nos contra os seus cento e vinte e seis capítulos, como se de moinhos de palavras se tratassem. Os leitores serão muitos, tantos que ainda nem sabemos exactamente quantos. Começaremos por dois: '''[http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira]''' e '''[[Alínea B. Issilva]]'''. É que, aos três juntos, pode-se-nos responsabilizar, quando não culpabilizar, por ter tido esta ideia. O mesmo vale para os comentadores – dos quais, como podeis ver, sou eu já o primeiro – mas que serão também aos montes e variadíssimos, como os leitores. E acredite-se, vai ser divertido. E diverso. Tanto que iremos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura virão, teremos outras... Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação, fazer música, teatro e até passar filmes e tudo o mais. É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro García de Zúñiga&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Sessões anteriores &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ1|1ª Sessão, Terça, 20 SET 2011]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ2|Terça, 4 OUT]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ3|Terça, 25 OUT]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ4|Terça, 15 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ5|Terça, 29 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ6|Terça, 13 DEZ]]''' - '''Sessão Especial fim de Temporada:''' Leitura encenada por [http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Mora_Ramos Fernando Morra Ramos] do '''''Entremés de los Romances''''' pelo '''[http://www.teatro-da-rainha.com/ Teatro da Rainha]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ7|Terça, 24|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ8|Terça, 07|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ9|Terça, 28|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ10|Terça, 13|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ11|Terça, 27|03, 21:00]]''' -  '''Especial dia Mundial do Teatro'''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ12|Terça, 10|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ13|Terça, 24|04, 21:00]]''' - '''Sessão Especial no Aljube'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ14|Terça, 08|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ15|Terça, 22|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ16|Terça, 05|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ17|Terça, 19|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ18|Terça, 03|07, 21:00]]''' - '''Especial ''Lost in la Macha'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ19|Terça, 25|09, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ20|Terça, 09|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ21|Terça, 23|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ22|Terça, 06|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ23|Terça, 13|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ24|Terça, 27|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ25|Terça, 11|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ26|Terça, 08|01, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ27|Terça, 22|01, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ28|Terça, 05|02, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ29|Terça, 19|02, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ30|Terça, 05|03, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ31|Terça, 19|03, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ32|Terça, 02|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ33|Terça, 16|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ34|Terça, 30|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ35|Terça, 14|05, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ36|Terça, 28|05, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ37|Terça, 18|06, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ38|Terça, 02|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ39|Terça, 09|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''[[DQ44| Segunda, 02|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ45| Segunda, 16|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ46| Segunda, 13|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ47| Segunda, 27|01 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ48| Segunda, 10|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ49| Segunda, 24|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ50| Segunda, 10|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ51| Segunda, 24|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:rodape_quixote.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ler_Dom_Quixote</id>
		<title>Ler Dom Quixote</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ler_Dom_Quixote"/>
				<updated>2014-03-23T15:16:39Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|80dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=justificado&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''Ler Dom Quixote'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por  [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] e [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
tradução de '''[http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=10487 Miguel Serras Pereira]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ler_Dom_Quixote_new2013.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Temporada 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Não foi realmente premeditado o facto de começar-mos o ano pela leitura dos capítulos 43, 44 e 45. Terminada a historia do cautivo, no capítulo 42, com o qual despedimos 2012, podemos dizer justamente que nestes capítulos começa uma nova etapa, na qual as historias “exteriores” ao relato das aventuras do cavaleiro da triste figura e o seu escudeiro, se intercalam umas com as outras. Mas não se trata só disso: Cervantes começa a desenvolver algo até então nunca intentado, uma nova narrativa na qual mistura-se literatura e vida.''&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro &amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Textos de Alvaro Garcia de Zúñiga acerca do Quixote:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Anotaciones_DQ.pdf| Anotaciones sobre Don Quijote]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQgesta | Algumas informações sobre as Canções de Gesta]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Terceira temporada LDQ | A propósito do começo da Terceira Temporada de LER DOM QUIXOTE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQsputnik.jpg|80dpx]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Próximas sessões a partir de finais de Setembro 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntar no São Luiz, a cada duas semanas, uma comunidade de leitores. Abordar, como se fôssemos piratas, um texto monumental que vai demorar cento e vinte e seis sessões a ler. Ou seja, um projecto que sabemos quando começa mas ainda não sabemos, nem queremos, quando acaba. Um gesto que sussurrará permanentemente um sub-texto que nos faz bem ouvir. Para nos lembrarmos de como somos frágeis e também fortes, de como é a nossa errância que produz ficções com que nos enchemos de bravura ou paixão. Para nos lembrarmos das interrogações universais que levantamos a cada passo que damos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. Por isso mesmo, nada poderia fazer mais sentido. Neste momento, como de resto em qualquer outro, porque na realidade estamos sempre no tempo do Dom Quixote. Assim sendo, lá iremos espetarmo-nos contra os seus cento e vinte e seis capítulos, como se de moinhos de palavras se tratassem. Os leitores serão muitos, tantos que ainda nem sabemos exactamente quantos. Começaremos por dois: '''[http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira]''' e '''[[Alínea B. Issilva]]'''. É que, aos três juntos, pode-se-nos responsabilizar, quando não culpabilizar, por ter tido esta ideia. O mesmo vale para os comentadores – dos quais, como podeis ver, sou eu já o primeiro – mas que serão também aos montes e variadíssimos, como os leitores. E acredite-se, vai ser divertido. E diverso. Tanto que iremos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura virão, teremos outras... Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação, fazer música, teatro e até passar filmes e tudo o mais. É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro García de Zúñiga&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Sessões anteriores &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ1|1ª Sessão, Terça, 20 SET 2011]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ2|Terça, 4 OUT]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ3|Terça, 25 OUT]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ4|Terça, 15 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ5|Terça, 29 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ6|Terça, 13 DEZ]]''' - '''Sessão Especial fim de Temporada:''' Leitura encenada por [http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Mora_Ramos Fernando Morra Ramos] do '''''Entremés de los Romances''''' pelo '''[http://www.teatro-da-rainha.com/ Teatro da Rainha]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ7|Terça, 24|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ8|Terça, 07|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ9|Terça, 28|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ10|Terça, 13|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ11|Terça, 27|03, 21:00]]''' -  '''Especial dia Mundial do Teatro'''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ12|Terça, 10|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''[[DQ14|Terça, 08|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ15|Terça, 22|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ16|Terça, 05|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ17|Terça, 19|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
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'''[[DQ23|Terça, 13|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ27|Terça, 22|01, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ37|Terça, 18|06, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ38|Terça, 02|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ39|Terça, 09|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ40|Segunda, 30|09, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ41|Segunda, 14|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ42|Segunda, 28|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ43| Segunda, 18|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ44| Segunda, 2|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ45| Segunda, 16|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ46| Segunda, 13|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ47| Segunda, 27|01 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ48| Segunda, 10|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ49| Segunda, 24|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
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'''[[DQ51| Segunda, 24|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ler_Dom_Quixote</id>
		<title>Ler Dom Quixote</title>
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				<updated>2014-03-23T15:15:52Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|80dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=justificado&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''Ler Dom Quixote'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por  [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] e [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
tradução de '''[http://www.iplb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=10487 Miguel Serras Pereira]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ler_Dom_Quixote_new2013.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Temporada 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Não foi realmente premeditado o facto de começar-mos o ano pela leitura dos capítulos 43, 44 e 45. Terminada a historia do cautivo, no capítulo 42, com o qual despedimos 2012, podemos dizer justamente que nestes capítulos começa uma nova etapa, na qual as historias “exteriores” ao relato das aventuras do cavaleiro da triste figura e o seu escudeiro, se intercalam umas com as outras. Mas não se trata só disso: Cervantes começa a desenvolver algo até então nunca intentado, uma nova narrativa na qual mistura-se literatura e vida.''&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro &amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Textos de Alvaro Garcia de Zúñiga acerca do Quixote:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Anotaciones_DQ.pdf| Anotaciones sobre Don Quijote]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQgesta | Algumas informações sobre as Canções de Gesta]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Terceira temporada LDQ | A propósito do começo da Terceira Temporada de LER DOM QUIXOTE]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQsputnik.jpg|80dpx]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Próximas sessões a partir de finais de Setembro 2013'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntar no São Luiz, a cada duas semanas, uma comunidade de leitores. Abordar, como se fôssemos piratas, um texto monumental que vai demorar cento e vinte e seis sessões a ler. Ou seja, um projecto que sabemos quando começa mas ainda não sabemos, nem queremos, quando acaba. Um gesto que sussurrará permanentemente um sub-texto que nos faz bem ouvir. Para nos lembrarmos de como somos frágeis e também fortes, de como é a nossa errância que produz ficções com que nos enchemos de bravura ou paixão. Para nos lembrarmos das interrogações universais que levantamos a cada passo que damos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. Por isso mesmo, nada poderia fazer mais sentido. Neste momento, como de resto em qualquer outro, porque na realidade estamos sempre no tempo do Dom Quixote. Assim sendo, lá iremos espetarmo-nos contra os seus cento e vinte e seis capítulos, como se de moinhos de palavras se tratassem. Os leitores serão muitos, tantos que ainda nem sabemos exactamente quantos. Começaremos por dois: '''[http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira]''' e '''[[Alínea B. Issilva]]'''. É que, aos três juntos, pode-se-nos responsabilizar, quando não culpabilizar, por ter tido esta ideia. O mesmo vale para os comentadores – dos quais, como podeis ver, sou eu já o primeiro – mas que serão também aos montes e variadíssimos, como os leitores. E acredite-se, vai ser divertido. E diverso. Tanto que iremos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura virão, teremos outras... Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação, fazer música, teatro e até passar filmes e tudo o mais. É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;Alvaro García de Zúñiga&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''◊◊◊◊◊'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Sessões anteriores &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ1|1ª Sessão, Terça, 20 SET 2011]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ2|Terça, 4 OUT]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ3|Terça, 25 OUT]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ4|Terça, 15 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ5|Terça, 29 NOV]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ6|Terça, 13 DEZ]]''' - '''Sessão Especial fim de Temporada:''' Leitura encenada por [http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Mora_Ramos Fernando Morra Ramos] do '''''Entremés de los Romances''''' pelo '''[http://www.teatro-da-rainha.com/ Teatro da Rainha]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ7|Terça, 24|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ8|Terça, 07|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ9|Terça, 28|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ10|Terça, 13|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ11|Terça, 27|03, 21:00]]''' -  '''Especial dia Mundial do Teatro'''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ12|Terça, 10|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ13|Terça, 24|04, 21:00]]''' - '''Sessão Especial no Aljube'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ14|Terça, 08|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ15|Terça, 22|05, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ16|Terça, 05|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ17|Terça, 19|06, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ18|Terça, 03|07, 21:00]]''' - '''Especial ''Lost in la Macha'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ19|Terça, 25|09, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ20|Terça, 09|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ21|Terça, 23|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ22|Terça, 06|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ23|Terça, 13|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ24|Terça, 27|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ32|Terça, 02|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ33|Terça, 16|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
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'''[[DQ34|Terça, 30|04, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ35|Terça, 14|05, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ36|Terça, 28|05, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ37|Terça, 18|06, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ38|Terça, 02|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ39|Terça, 09|07, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ40|Segunda, 30|09, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ41|Segunda, 14|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ42|Segunda, 28|10, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ43| Segunda, 18|11, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ44| Segunda, 2|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ45| Segunda, 16|12, 21:00]]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ46| Segunda 13|01, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ47| Segunda, 27|01 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ48| Segunda, 10|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ49| Segunda, 24|02, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ50| Segunda, 10|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[[DQ51| Segunda, 24|03, 21:00]]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:rodape_quixote.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-23T15:08:26Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma série de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao longo de todo o episódio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez fora do palácio ducal: No episódio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, presente através do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão presentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no início de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverência a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos presentes. A primeira, da qual já tivemos notícia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado no capítulo 34 durante o episódio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como presente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceros sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar às suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir-se de dama para a sua vingança ser total e que surja efeito. Teresa é-nos apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar os “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido em acordo com o seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, adivinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipse da carta de Sancho, a leitura da qual foi nos poupada por esta ter sido referida anteriormente, permite não relembrar ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica na obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A codificação da indumentária e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, dá prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, além de ter dado azo a alguns casos espectaculares, como o de dom Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “Peribáñez”,  tinha um efeito económico-social considerável além de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A história da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na história das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que surgiram ao longo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referência e de estudos relativos a esta “pergunta” que, além desta ligação que se pode estabelecer com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece relacionar-se com Calvino e ao seu “visconte dimezzato”, primeira parte da quixotesca trilogia “I nostri antenati” que aliás culmina com um paradoxal “cavaliere inesistente”, verdadeiro Quixote da existência, do ser, o melhor, do querer ser. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros atacar-se a este aspecto, que, apesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos, através de indícios cada vez mais claros que se aproxima o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, de todo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso à literatura epistolar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrelaçando episódios e acontecimentos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercâmbio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludirá ainda à que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Depois  dos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que “até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.” O que é normal, se pensarmos que, neste tão pouco comentado episódio da ponte e da forca, Sancho chega ao cúmulo da sua clarividência. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então lhe tinham submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho se mostra capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que lhe é apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um conselho que lhe tinha dado o seu amo: “eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «In dubio, pro reo»). Talvez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alançado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas notícias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “gateamento” que em muito se parece ao manteamento que na saída anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “amigo” como não se priva de declará-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques proclama-se “criado” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de assiná-la como “governador”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época se recomendavam aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar as fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar à morte aos aguadores de vinho.&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episódio todo da governação do ignorante-sábio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap50/default.htm CAPÍTULO L]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap41/default.htm CAPÍTULO LI]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ51</id>
		<title>DQ51</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ51"/>
				<updated>2014-03-23T15:07:35Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 51 – Segunda, 24 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes capítulos finalizam a alternância dos anteriores dedicados a DQ ou a Sancho separadamente, e isto por sua vez preanuncia o próximo fim da estancia dos nossos heróis na corte dos duques.&lt;br /&gt;
O capitulo 52 como o anterior, começa com uma referencia a Cide Hamete que não parece significativa, mas que, de todos modos serve a que tenhamos pressente quem é que está a narrar esta verdadeira historia. Mais importante tal vez seja o anuncio que DQ começa a meditar em abandonar o castelo e retomar o caminho da andante cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escrito um bocado ao modo dos próprios livros de cavalarias, nos quais a estadia num palácio serve como parêntesis das fantasiosas batalhas e para desenvolver neles as historias de amor galantes, o modo de Cervantes, como sempre, altera o modelo mas sem deixar de referi-lo, com a aparição de duas mulheres viúva uma, órfã a outra, a pedir reparação e justiça. Trata-se da continuação do episodio de Dona Rodrigues, que parecia já acabado e esquecido: agora a dona faz-se conhecer, e, cumprindo todos os requisitos do género, pronuncia um divertido discurso num estilo que calca aqueles que em semelhantes ocasiões podem-se ler nos livros de cavalarias, não deixando de parte nem sequer os arcaísmos, isso sim, agora misturados com expressões vulgares que denunciam a verdadeira condição da demandante. O discurso, pode-se dizer, continua a sua descida e, ao chegar às cartas de Teresa Pança, tal vez venha a assinalar a equivalência de classe entre estas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta de DQ não pode ficar atrás do tom e do estilo impostos pela dona e assim, num arranque emocional, eleva-se até equiparar-se com a divina providencia, para logo rectificar o excesso e voltar a um tom um bocado mais acorde as circunstancias. A exaltação fica em evidencia no momento em que aceita rebaixar-se a combater com um vilão, coisa esta fora da ordem da cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O duque vê mais uma ocasião que não desperdiçara para fabricar uma nova burla a partir desta inesperada e surreal realidade que se apresenta: prepara-se para a realização de um torneio, mas outra vez a acção fica suspensa pela chegada do pajem com as cartas de Teresa Pança. Estas cartas vem em certo modo também fechar o conjunto epistolar anterior: a carta de Sancho a Teresa no cap.36; a do duque a Sancho no cap.47; a da duquesa a Teresa Pança no cap.50; e as de DQ a Sancho e a resposta deste no cap.51. Toda elas, comportam um certo grau de parodia ao género epistolar, naquele tempo muito apreciado pelos humanistas e os teóricos políticos e filosóficos. Também como nas novelas que contem epístolas, as cartas servem de reflexão sobre as historias o episódios que nelas se inserem, mas nas de Teresa Pança, alem destes aspectos paródicos evidentes, Cervantes desenha um quadro de costumes muito realista, desenhando a partir de uma grande sensibilidade social e, partindo da burla habitual que é feita aos rústicos, e não deixando de lado a ilusão e credulidade de Teresa e a sua filha, chega depois a outros aspectos da realidade imediata: o preço do pão e da carne, a carência de bolotas, a falta de azeitonas e de vinagre em toda a vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra utilização que faz Cervantes do género epistolar diz respeito a um dos recursos mais importantes e característicos de sua escrita: a descrição dos mesmos feitos desde perspectivas diferentes e as vezes também diferenciadas segundo o destinatário a quem vai-se contar. E mais correspondências vai estabelecer o autor a partir das noticias que da Teresa e que parecem não ter muita importância, assim a do pintor que não domina a sua arte – pequena historia moral, que não deixa de ter uma componente social e de classe – segue a das moças que foram levadas pela companhia de soldados, que não deixa de corresponder com o caso da filha de dona Rodrigues, mas que classe social de por médio, no caso das aldeãs pobres, não terá resolução de honra, como vai ter que ser o caso da filha da dona que foi seduzida pelo filho dum lavrador rico ao qual apoia o duque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes ainda da eco ao sucesso de Sancho a traves duma das cartas de Teresa e a seguir a este canto triunfal, muda de tonalidade com o lamento que põe em boca de Cide Hamete que nos adverte que nada perdura e que a vida humana não é mais que vanidade. E assim, durante a sétima noite do seu governo, o barulho da “rebelião” vai acordar duplamente a Sancho. Os gritos, os archotes acesos no meio da escuridão, e com o pretexto de equipa-lo para o combate, a sua imobilização, a queda e o caminharem-lhe por cima – coisas estas muito mais terríveis que o manteamento que tanto tinha feito sofrer ao escudeiro e do qual tanto se tinha queixado e falado na primeira parte, dão lugar a decisão – esta sim, irrevogável – de abandonar o governo e a ínsula imediatamente, coisa que faz sem contemplações e sem seguir nenhuma das consignas que lhe são solicitadas, que alias correspondem ao sistema de corregimentos da época. A resposta de Sancho e simples e contundente: ele não tem que aceitar nenhuma inspecção, porque vai-se embora tão pobre quanto chegou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ridiculizado e até cosificado não só pelos seus “governados” senão até pelo narrador, pode-se ler entrelinhas uma visão espiritualista que transfigura o fracasso em trunfo: ao chegar o sétimo dia Sancho vai ter finalmente direito ao repouso. Com humildade, com santidade incluso, abandona o poder terreno, renuncia a ambição mundana e mostra-se assim finalmente sublime, não só pela sua renuncia, Senão pela sua actuação como provedor de justiça, muito por encima da dos governantes da realidade: Sancho não se tem enriquecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alem da utopia carnavalesca que representa todo o episodio de Barataria, o desenlace também pode ter uma leitura militar: Bom juiz e administrador, Sancho mostra-se mau capitão, incapaz de enfrentar-se com uma rebelião armada. Confirmando nesse sentido a ideia expressada por DQ no seu famoso discurso da primeira parte (I, 37-38), no qual diz que o valor guerreiro é insubstituível. A colisão entre o enfoque da utopia carnavalesca e o discurso das armas e das letras, incluso quando a renuncia de Sancho significa uma volta à ordem normal das coisas, representa uma certa mordacidade satírica contra o afã de lucro frequente e também contra a pretensão dos letrados da época de usurpar cargos que, segundo DQ e o próprio Cervantes correspondem aos próprios soldados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos modos nos encontramos no momento mais alto da evolução de Sancho como pessoa. Ele acaba de mostrar-se muito sagaz respeito a suas capacidades de julgar a conduta humana, incluindo a sua própria, e valorará a sua renuncia do governo ao momento de ser sincero com seu ex-vizinho o mourisco Ricote que por sua vez tem-lhe contado secretos muito comprometedores. Fiel ao orgulho que sempre tem demonstrado da sua condição de cristão velho, Sancho vai se negar a participar  na pesquisa do tesouro escondido pelo seu vizinho e não vai ajuda-lo encobrindo-o. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes serve-se de Sancho como testemunha para relatar feitos que comocionam a vida espanhola de aquele tempo. A expulsão dos mouros ainda não é Historia, senão actualidade na Espanha filipina, e trata-se de uma questão social e politica de envergadura que preocupa particularmente ao autor, que também falará dela no Persiles. É muito original o modo que Cervantes utiliza: Confessando ter chorado aquele dia, Sancho conta a saída dos mouros da sua vila a um deles, ausente naquele dia, e que saberá pelo conto de Sancho como, rodeadas do afecto impotente dos vizinhos,  viveram essa má hora a sua mulher e a sua filha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tratamento da expulsão mantém-se fiel aos feitos, incluso na caracterização das atitudes humanas. Nesse sentido, a historia mais interessante tal vez seja a do cunhado de Ricote, que representa a posição maioritária do mouro cripto-musulmão, totalmente indefinido religiosamente o que o leva a intentar soluções diferentes à emigração a terras islâmicas, tudo aquilo que era muito comum nos novos convertidos, assim como a piedade católica que é atribuída a mulher e a filha de Ricote, e a inclusão deste num grupo de pedintes alemães, a dor dos vizinhos, e a força do namoro do morgado rico, que apoia-se alias em vários escritos que deploram a capacidade de sedução das mulheres mouriscas. Cervantes dá-nos a conhecer o perfil de uma família de novos convertidos e como esta vive o processo de assimilação ao momento em que se pratica o desterro. Difícil de esquecer, evidentemente a influencia dos anos de cativeiro sofridos pelo autor ao momento de narrar um episodio que diz respeito a relação do homem com os outros, a das minorias com a sua terra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap52/default.htm CAPÍTULO LII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap53/default.htm CAPÍTULO LIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap54/default.htm CAPÍTULO LIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]], [[DQ50| 10 MAR]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ51</id>
		<title>DQ51</title>
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				<updated>2014-03-23T15:06:01Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 51 – Segunda, 24 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes capítulos finalizam a alternância dos anteriores dedicados a DQ ou a Sancho separadamente, e isto por sua vez preanuncia o próximo fim da estancia dos nossos heróis na corte dos duques.&lt;br /&gt;
O capitulo 52 como o anterior, começa com uma referencia a Cide Hamete que não parece significativa, mas que, de todos modos serve a que tenhamos pressente quem é que está a narrar esta verdadeira historia. Mais importante tal vez seja o anuncio que DQ começa a meditar em abandonar o castelo e retomar o caminho da andante cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escrito um bocado ao modo dos próprios livros de cavalarias, nos quais a estadia num palácio serve como parêntesis das fantasiosas batalhas e para desenvolver neles as historias de amor galantes, o modo de Cervantes, como sempre, altera o modelo mas sem deixar de referi-lo, com a aparição de duas mulheres viúva uma, órfã a outra, a pedir reparação e justiça. Trata-se da continuação do episodio de Dona Rodrigues, que parecia já acabado e esquecido: agora a dona faz-se conhecer, e, cumprindo todos os requisitos do género, pronuncia um divertido discurso num estilo que calca aqueles que em semelhantes ocasiões podem-se ler nos livros de cavalarias, não deixando de parte nem sequer os arcaísmos, isso sim, agora misturados com expressões vulgares que denunciam a verdadeira condição da demandante. O discurso, pode-se dizer, continua a sua descida e, ao chegar às cartas de Teresa Pança, tal vez venha a assinalar a equivalência de classe entre estas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta de DQ não pode ficar atrás do tom e do estilo impostos pela dona e assim, num arranque emocional, eleva-se até equiparar-se com a divina providencia, para logo rectificar o excesso e voltar a um tom um bocado mais acorde as circunstancias. A exaltação fica em evidencia no momento em que aceita rebaixar-se a combater com um vilão, coisa esta fora da ordem da cavalaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O duque vê mais uma ocasião que não desperdiçara para fabricar uma nova burla a partir desta inesperada e surreal realidade que se apresenta: prepara-se para a realização de um torneio, mas outra vez a acção fica suspensa pela chegada do pajem com as cartas de Teresa Pança. Estas cartas vem em certo modo também fechar o conjunto epistolar anterior: a carta de Sancho a Teresa no cap.36; a do duque a Sancho no cap.47; a da duquesa a Teresa Pança no cap.50; e as de DQ a Sancho e a resposta deste no cap.51. Toda elas, comportam um certo grau de parodia ao género epistolar, naquele tempo muito apreciado pelos humanistas e os teóricos políticos e filosóficos. Também como nas novelas que contem epístolas, as cartas servem de reflexão sobre as historias o episódios que nelas se inserem, mas nas de Teresa Pança, alem destes aspectos paródicos evidentes, Cervantes desenha um quadro de costumes muito realista, desenhando a partir de uma grande sensibilidade social e, partindo da burla habitual que é feita aos rústicos, e não deixando de lado a ilusão e credulidade de Teresa e a sua filha, chega depois a outros aspectos da realidade imediata: o preço do pão e da carne, a carência de bolotas, a falta de azeitonas e de vinagre em toda a vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra utilização que faz Cervantes do género epistolar diz respeito a um dos recursos mais importantes e característicos de sua escrita: a descrição dos mesmos feitos desde perspectivas diferentes e as vezes também diferenciadas segundo o destinatário a quem vai-se contar. E mais correspondências vai estabelecer o autor a partir das noticias que da Teresa e que parecem não ter muita importância, assim a do pintor que não domina a sua arte – pequena historia moral, que não deixa de ter uma componente social e de classe – segue a das moças que foram levadas pela companhia de soldados, que não deixa de corresponder com o caso da filha de dona Rodrigues, mas que classe social de por médio, no caso das aldeãs pobres, não terá resolução de honra, como vai ter que ser o caso da filha da dona que foi seduzida pelo filho dum lavrador rico ao qual apoia o duque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes ainda da eco ao sucesso de Sancho a traves duma das cartas de Teresa e a seguir a este canto triunfal, muda de tonalidade com o lamento que põe em boca de Cide Hamete que nos adverte que nada perdura e que a vida humana não é mais que vanidade. E assim, durante a sétima noite do seu governo, o barulho da “rebelião” vai acordar duplamente a Sancho. Os gritos, os archotes acesos no meio da escuridão, e com o pretexto de equipa-lo para o combate, a sua imobilização, a queda e o caminharem-lhe por cima – coisas estas muito mais terríveis que o manteamento que tanto tinha feito sofrer ao escudeiro e do qual tanto se tinha queixado e falado na primeira parte, dão lugar a decisão – esta sim, irrevogável – de abandonar o governo e a ínsula imediatamente, coisa que faz sem contemplações e sem seguir nenhuma das consignas que lhe são solicitadas, que alias correspondem ao sistema de corregimentos da época. A resposta de Sancho e simples e contundente: ele não tem que aceitar nenhuma inspecção, porque vai-se embora tão pobre quanto chegou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ridiculizado e até cosificado não só pelos seus “governados” senão até pelo narrador, pode-se ler entrelinhas uma visão espiritualista que transfigura o fracasso em trunfo: ao chegar o sétimo dia Sancho vai ter finalmente direito ao repouso. Com humildade, com santidade incluso, abandona o poder terreno, renuncia a ambição mundana e mostra-se assim finalmente sublime, não só pela sua renuncia, Senão pela sua actuação como provedor de justiça, muito por encima da dos governantes da realidade: Sancho não se tem enriquecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alem da utopia carnavalesca que representa todo o episodio de Barataria, o desenlace também pode ter uma leitura militar: Bom juiz e administrador, Sancho mostra-se mau capitão, incapaz de enfrentar-se com uma rebelião armada. Confirmando nesse sentido a ideia expressada por DQ no seu famoso discurso da primeira parte (I, 37-38), no qual diz que o valor guerreiro é insubstituível. A colisão entre o enfoque da utopia carnavalesca e o discurso das armas e das letras, incluso quando a renuncia de Sancho significa uma volta à ordem normal das coisas, representa uma certa mordacidade satírica contra o afã de lucro frequente e também contra a pretensão dos letrados da época de usurpar cargos que, segundo DQ e o próprio Cervantes correspondem aos próprios soldados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos modos nos encontramos no momento mais alto da evolução de Sancho como pessoa. Ele acaba de mostrar-se muito sagaz respeito a suas capacidades de julgar a conduta humana, incluindo a sua própria, e valorará a sua renuncia do governo ao momento de ser sincero com seu ex-vizinho o mourisco Ricote que por sua vez tem-lhe contado secretos muito comprometedores. Fiel ao orgulho que sempre tem demonstrado da sua condição de cristão velho, Sancho vai se negar a participar  na pesquisa do tesouro escondido pelo seu vizinho e não vai ajuda-lo encobrindo-o. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes serve-se de Sancho como testemunha para relatar feitos que comocionam a vida espanhola de aquele tempo. A expulsão dos mouros ainda não é Historia, senão actualidade na Espanha filipina, e trata-se de uma questão social e politica de envergadura que preocupa particularmente ao autor, que também falará dela no Persiles. É muito original o modo que Cervantes utiliza: Confessando ter chorado aquele dia, Sancho conta a saída dos mouros da sua vila a um deles, ausente naquele dia, e que saberá pelo conto de Sancho como, rodeadas do afecto impotente dos vizinhos,  viveram essa má hora a sua mulher e a sua filha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O tratamento da expulsão mantém-se fiel aos feitos, incluso na caracterização das atitudes humanas. Nesse sentido, a historia mais interessante tal vez seja a do cunhado de Ricote, que representa a posição maioritária do mouro cripto-musulmão, totalmente indefinido religiosamente o que o leva a intentar soluções diferentes à emigração a terras islâmicas, tudo aquilo que era muito comum nos novos convertidos, assim como a piedade católica que é atribuída a mulher e a filha de Ricote, e a inclusão deste num grupo de pedintes alemães, a dor dos vizinhos, e a força do namoro do morgado rico, que apoia-se alias em vários escritos que deploram a capacidade de sedução das mulheres mouriscas. Cervantes dá-nos a conhecer o perfil de uma família de novos convertidos e como esta vive o processo de assimilação ao momento em que se pratica o desterro. Difícil de esquecer, evidentemente a influencia dos anos de cativeiro sofridos pelo autor ao momento de narrar um episodio que diz respeito a relação do homem com os outros, a das minorias com a sua terra. &lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]], [[DQ50| 10 MAR]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ51</id>
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				<updated>2014-03-23T15:03:04Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 51 – Segunda, 24 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma série de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao longo de todo o episódio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez fora do palácio ducal: No episódio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, presente através do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão presentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no início de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverência a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos presentes. A primeira, da qual já tivemos notícia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado no capítulo 34 durante o episódio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como presente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceros sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar às suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir-se de dama para a sua vingança ser total e que surja efeito. Teresa é-nos apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar os “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido em acordo com o seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, adivinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipse da carta de Sancho, a leitura da qual foi nos poupada por esta ter sido referida anteriormente, permite não relembrar ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica na obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A codificação da indumentária e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, dá prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, além de ter dado azo a alguns casos espectaculares, como o de dom Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “Peribáñez”,  tinha um efeito económico-social considerável além de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A história da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na história das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que surgiram ao longo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referência e de estudos relativos a esta “pergunta” que, além desta ligação que se pode estabelecer com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece relacionar-se com Calvino e ao seu “visconte dimezzato”, primeira parte da quixotesca trilogia “I nostri antenati” que aliás culmina com um paradoxal “cavaliere inesistente”, verdadeiro Quixote da existência, do ser, o melhor, do querer ser. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros atacar-se a este aspecto, que, apesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos, através de indícios cada vez mais claros que se aproxima o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, de todo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso à literatura epistolar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrelaçando episódios e acontecimentos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercâmbio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludirá ainda à que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Depois  dos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que “até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.” O que é normal, se pensarmos que, neste tão pouco comentado episódio da ponte e da forca, Sancho chega ao cúmulo da sua clarividência. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então lhe tinham submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho se mostra capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que lhe é apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um conselho que lhe tinha dado o seu amo: “eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «In dubio, pro reo»). Talvez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alançado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas notícias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “gateamento” que em muito se parece ao manteamento que na saída anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “amigo” como não se priva de declará-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques proclama-se “criado” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de assiná-la como “governador”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época se recomendavam aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar as fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar à morte aos aguadores de vinho.&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episódio todo da governação do ignorante-sábio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
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23 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]], [[DQ50| 10 MAR]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''Sessão 51 – Segunda, 24 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 52, 53 e 54 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma série de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao longo de todo o episódio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez fora do palácio ducal: No episódio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, presente através do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão presentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no início de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverência a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos presentes. A primeira, da qual já tivemos notícia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado no capítulo 34 durante o episódio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como presente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceros sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar às suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir-se de dama para a sua vingança ser total e que surja efeito. Teresa é-nos apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar os “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido em acordo com o seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, adivinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipse da carta de Sancho, a leitura da qual foi nos poupada por esta ter sido referida anteriormente, permite não relembrar ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica na obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A codificação da indumentária e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, dá prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, além de ter dado azo a alguns casos espectaculares, como o de dom Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “Peribáñez”,  tinha um efeito económico-social considerável além de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A história da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na história das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que surgiram ao longo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referência e de estudos relativos a esta “pergunta” que, além desta ligação que se pode estabelecer com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece relacionar-se com Calvino e ao seu “visconte dimezzato”, primeira parte da quixotesca trilogia “I nostri antenati” que aliás culmina com um paradoxal “cavaliere inesistente”, verdadeiro Quixote da existência, do ser, o melhor, do querer ser. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros atacar-se a este aspecto, que, apesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos, através de indícios cada vez mais claros que se aproxima o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, de todo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso à literatura epistolar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrelaçando episódios e acontecimentos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercâmbio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludirá ainda à que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Depois  dos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que “até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.” O que é normal, se pensarmos que, neste tão pouco comentado episódio da ponte e da forca, Sancho chega ao cúmulo da sua clarividência. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então lhe tinham submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho se mostra capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que lhe é apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um conselho que lhe tinha dado o seu amo: “eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «In dubio, pro reo»). Talvez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alançado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas notícias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “gateamento” que em muito se parece ao manteamento que na saída anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “amigo” como não se priva de declará-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques proclama-se “criado” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de assiná-la como “governador”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época se recomendavam aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar as fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar à morte aos aguadores de vinho.&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episódio todo da governação do ignorante-sábio.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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[[Ler Dom Quixote 3 | A terceira temporada de Ler Dom Quixote no Teatro São Luiz começou na segunda-feira 30 de Setembro 2013 !!!]]&lt;br /&gt;
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'''[http://teatrodarainha38.blogspot.pt/ O blog do 38]''' com textos de '''Fernando Mora Ramos'''&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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('''[http://www.teatro-da-rainha.com/index.html Teatro da Rainha] &amp;amp; blablalab''')&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no [http://www.ccb.pt/sites/ccb/en-EN/Pages/default.aspx| '''CCB'''] em Maio 2014&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''&amp;amp;''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:escipion.jpg|180dpx]]  [[La Numancia]] de [http://bib.cervantesvirtual.com/bib_autor/Cervantes/ ''Miguel de Cervantes'']&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;'''e depois...'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:pasdedance.jpg|180dpx]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[image:berlin1.jpg|60px]] '''Manuel wohnen ''Live'' im Berlin''' ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; ...&amp;amp; &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; e falando de escrita : &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''¿Que es esto?'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''[[Arquivo de notícias]]'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa visita!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:16:29Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste tão pouco comentado episodio da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que faziam parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas, de índole penal e administrativa, são muito parecidas às que, na época, recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc.; mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e que estas fiquem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:13:50Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste tão pouco comentado episodio da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que faziam parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas, de índole penal e administrativa, são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:12:57Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste tão pouco comentado episodio da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que faziam parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:10:50Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste tão pouco comentado episodio da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro da triste figura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50"/>
				<updated>2014-03-10T17:07:37Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste tão pouco comentado episodio da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
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AGZ&lt;br /&gt;
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10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:04:42Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fugaz, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste episodio tão pouco comentado da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
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				<updated>2014-03-10T17:02:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes capítulos encontramos uma serie de episódios curtos mas muito precisos dentro dos quais prima aquilo que poderíamos catalogar principalmente como fazendo parte da literatura epistolar. Já as acções das idas e vindas nocturnas da duquesa e das donas preanunciam que o assunto social e de classes – que marca presença ao largo de todo o episodio da governação – vai continuar a ser o tema dominante, e assim será uma vez que nos encontremos fora do palácio ducal: No episodio aldeão, Teresa e Sanchica serão as protagonistas de todo um jogo de classes que vai percorrer todo o espectro social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aventura na aldeia envolve a duquesa, pressente a traves do seu pajem, que por sua vez é quem dá legitimidade a toda a situação. E no desenrolar da acção, aqueles que não estão pressentes serão tão preponderantes como o são aqueles que sim participam nela, como Teresa, Sanchica, o cura e Sansão Carrasco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom embaixador e mensageiro, o pajem – que nos já conhecemos por ter sido ele a dar corpo a Dulcineia, e estar no inicio de outra burla em curso, a que leva a Sancho a ter que dar-se três mil açoites para desencantar a senhora do Toboso – já desde a sua aparição na aldeia se desfaz em tratamentos cavaleirescos e cortesãos, chamando de  “donzela” a Sanchica e saudando com grande reverencia a sua “Senhora Dona Teresa” dando-lhe trato de “vossa mercê”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este traz duas cartas que ele mesmo lerá a Teresa, cada uma acompanhada de ricos pressentes. A primeira, da qual já tivemos noticia no capítulo 37, é de Sancho e junto a ela vem o vestido de finíssimo pano verde que ele tinha usado e desgarrado capítulo 34 durante o episodio da caça de montaria. &lt;br /&gt;
Da segunda, enviada pela duquesa, e que é acompanhada com um “maço” de coral como pressente, teremos noticia ao mesmo tempo que Teresa. Nela, a duquesa, utiliza o modelo da falsa familiaridade e condescendência aristocrática, que a coitada da Teresa tomará ao pé da letra, crendo serem sinceras sinais de amizade igualitária o trato de “amiga” e “querida minha”, o que por sua parte dá lugar as suas reflexões sobre o comportamento e o trato das fidalgas da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De aldeã a governadora, só falta a Teresa vestir de dama para a sua vingança ser total e que esta surja efeito. Teresa nos é apresentada com saia parda cortada por “vergonhoso lugar”, e a par de informar aos “amigos” do bom sucesso com que foram coroadas as aventuras do seu escudeiro de marido baixo a tutela do cavaleiro Dom Quixote, o seu primeiro impulso é pedir a estes que a acudam para que se lhe compre um vestido acorde ao seu novo estatuto. Em paralelo aos sonhos e delírios de mãe e filha que invertem em tudo a atitude sensata de Teresa no “apócrifo” capítulo 5 desta segunda parte, devinha-se muito discretamente um fundo de desagrado no cura e no bacharel ao constatar a veracidade do sucesso obtido pelos dois aventureiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A elipsis da carta de Sancho, a qual foi nos poupada a leitura por esta ter sido referida anteriormente, permite esquecer ao leitor menos memorioso que o governador tinha determinado nela que a sua mulher andara de coche. Daí, provavelmente, a insistência de Teresa e Sanchica a obtenção e usufruto de um. Mas o assunto do coche remete para outras direcções que tocam às prerrogativas nobiliárias dos grupos sociais inferiores. A regulamentação sobre indumentaria e demais privilégios de honorabilidade nobiliária, que se repetiu inumeráveis vezes entre 1530 e 1620, da prova das transgressões constantes a que estava submetido todo o sistema de estatuto social. E isso toca em muito aquilo que refere aos coches e a sua regulamentação: Naqueles anos, o que mais estava em jogo era a ascensão a fidalguia de judaizantes, que, alem de ter dado alguns casos espectaculares, como a de do Rodrigo Calderón satirizada por Góngora (1612) e muito provavelmente aludida por Lope no seu “''Peribáñez''”,  tinha um efeito económico-social considerável alem de estar na origem de uma mudança social que, uma vez começada, não teria volta atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do capítulo 51, Sancho é confrontado com um exercício de lógica. A historia da ponte e da forca não difere em muito do paradoxo do barbeiro que pouco mais de três séculos depois será um dos pilares do pensamento de Bertrand Russell, e, a partir deste de toda a lógica e a filosofia da linguagem determinante na historia das ideias e de tudo aquilo que de melhor tem dado o século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a enorme quantidade de trabalhos de toda índole que ao largo dos quatro séculos que vão desde a aparição das aventuras de Dom Quixote, é curiosa a ausência de referencia e estudo que há em relação a esta “pergunta” que, alem de esta ligação com o pensamento de Russell, Wittgenstein, Quine e filósofos mais actuais como Hilary Putnam, etc., também parece referir a Calvino e ao seu “''visconte dimezzato''”, primeira parte da quixotesca trilogia ''“I nostri antenati”'' que alias culmina com um paradoxal “''cavaliere inesistente''”, verdadeiro Quixote da existência, do ''ser'', o melhor, do ''querer ser''. Fica aqui o desafio aos cervantistas actuais e futuros a atacar-se a este aspecto, que, a pesar de fuga, não deixa de ser um assunto maior e com muito para dizer ao respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho já não suporta mais o jejum ao qual o temível médico de Tirteafuera o submete, com isto começamos a apercebe-nos a traves de indícios cada vez mais claros que aproxima-se o fim da experiencia de governação, e por conseguinte, como é lógico imaginar, tudo o período palaciano de Dom Quixote. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a distancia entre ínsula e palácio ducal que põe em evidencia o recurso a literatura epistolar. Entrelaçando episódios e sucessos ocorridos em lugares distintos teremos um último intercambio de correspondência entre Dom Quixote e Sancho na qual se aludira ainda a que existiu entre a duquesa e Teresa Pança. Seguidamente aos sábios conselhos com que o cavaleiro ainda brinda ao seu escudeiro, este, na sua carta, prova ter-se adiantado aos conselhos, tendo já começado a adoptar medidas administrativas que ''“até hoje se cumprem naquela vila e se chamam: As constituições do grande governador Sancho Pança.”'' O que é normal, se pensar-mos que, neste episodio tão pouco comentado da ponte e da forca, Sancho chega ao cimo da sua clrividencia. O enigma que lhe é apresentado é, de longe, muito mais subtil que os retortos pleitos que até então tinham-lhe submetido, e, claro, aparenta-se muito às aporias tão apreciadas pelos gregos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se Sancho mostra-se capaz de resumir e clarificar os elementos de um problema que é-lhe apresentado de modo complexo, a sua solução em tanto que tal aparece-lhe ao relembrar um coselho que tinha-lhe dado o seu amo: “''eu neste caso não falei pela minha cabeça porque me veio à memória um preceito, entre muitos outros, que me deu o meu amo D. Quixote na noite anterior àquela em que vim ser governador desta ínsula: que foi que, quando a justiça estivesse em dúvida, me inclinasse e cedesse à misericórdia''” (O que não é outra coisa senão uma versão do aforismo jurídico «''In dubio, pro reo''»). Tal vez caiba então dizer por uma vez que o sucesso alancado por Sancho pode atribuir-se em boa medida ao próprio Dom Quixote.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E este, por sua parte, provavelmente deslumbrado pelas noticias que lhe chegam de Barataria, confessa, falando de igual a igual, o pior trato que em comparação ele recebe, fazendo queixa até de um “''gateamento''” que em muito se parece ao ''manteamento'' que na saida anterior tinha recebido o escudeiro, já agora transformado em “''amigo''” como não se priva de declara-lo ao assinar a sua carta o cavaleiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho, calorosamente e com absoluta lealdade a seu amo e também aos duques se proclama “''criado''” na missiva a Dom Quixote, sem por isso deixar de firma-la como “''governador''”. Agora, as iniciativas que ele tem tomado diferem das anteriores, mais salomónicas mas também burlescas e que fazem parte do mundo ao contrario típico da utopia carnavalesca. Estas novas medidas de índole penal e administrativa são muito parecidas às que, na época recomendavam-se aos corregedores para fazer respeitar as leis em vigor, evitar os fraudes, garantir a ordem pública, etc., mas sem esquecer a origem de Sancho que, com certa sanha misógina, castiga as tendeiras, e, especialmente gostaria de condenar a morte aos ''aguadores'' de vinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fechar o capítulo falando nas medidas implementadas por Sancho e o facto de estas ficarem legadas como constituições, envolve num halo mítico de lenda áurea o episodio todo da governação do ignorante-sabio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50"/>
				<updated>2014-03-10T16:55:46Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 50 – Segunda, 10 de Março de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sancho_by_John_Gilbert.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Comentario dos capítulos 50 e 51 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo''&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''al pecho melancólico y mohíno''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''en cualquiera sazón, en todo tiempo… ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia da Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, ''además'', um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
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[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]], [[DQ49| 24 FEV]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50</id>
		<title>DQ50</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ50"/>
				<updated>2014-03-10T16:54:05Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo''&lt;br /&gt;
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''al pecho melancólico y mohíno''&lt;br /&gt;
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Cervantes&lt;br /&gt;
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'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
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No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia da Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, ''además'', um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
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Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
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Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: Criou nova página com '{{menu secção 2}}   Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal]   comissariado por Alvaro García de Zúñiga, [http://www.teatrosaolui...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo''&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''al pecho melancólico y mohíno''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''en cualquiera sazón, en todo tiempo… ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia da Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, ''además'', um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10 de Março de 2013 &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
'''[http://teatrodarainha38.blogspot.pt/ O blog do 38]''' com textos de '''Fernando Mora Ramos'''&lt;br /&gt;
e '''Alvaro García de Zúñiga'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
('''[http://www.teatro-da-rainha.com/index.html Teatro da Rainha] &amp;amp; blablalab''')&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;◊ ◊ ◊&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''em 2014 :'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no [http://www.ccb.pt/sites/ccb/en-EN/Pages/default.aspx| '''CCB'''] em Maio 2014&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''&amp;amp;''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:escipion.jpg|180dpx]]  [[La Numancia]] de [http://bib.cervantesvirtual.com/bib_autor/Cervantes/ ''Miguel de Cervantes'']&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''e depois...'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[image:berlin1.jpg|60px]] '''Manuel wohnen ''Live'' im Berlin''' ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; ...&amp;amp; &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; e falando de escrita : &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''¿Que es esto?'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''[[Arquivo de notícias]]'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Careful_mix_copy.jpg|right|40px]]&lt;br /&gt;
Caros internautas,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um site tendencialmente multilíngue... por isso as versões nas diferentes línguas não são iguais e podem às vezes até ser poluídas com línguas outras...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todo o caso, para facilitar, a informação vai sendo arrumada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/es espanhol] [[image:Bandeira-Espanha.jpg|15px]], &lt;br /&gt;
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e em [http://blablalab.net/en/index.php?title=Main_Page inglês]  [[image:Bandeira-UK.jpg|15px]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo''&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''al pecho melancólico y mohíno''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''en cualquiera sazón, en todo tiempo… ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia da Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, ''además'', um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23 de Fevereiro de 2013 &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49"/>
				<updated>2014-02-23T20:44:16Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
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[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
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'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo''&lt;br /&gt;
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''en cualquiera sazón, en todo tiempo… ''&lt;br /&gt;
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'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
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No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia da Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, ''además'', um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
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Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
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				<updated>2014-02-23T20:34:08Z</updated>
		
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No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
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O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
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''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia d Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, además, um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23 Fevereiro 2013. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
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				<updated>2014-02-23T20:33:39Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
al pecho melancólico y mohíno &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
en cualquiera sazón, en todo tiempo… ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia d Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, además, um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
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[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
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				<updated>2014-02-23T20:33:03Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
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comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
''Yo he dado en Don Quijote pasatiempo&lt;br /&gt;
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al pecho melancólico y mohíno &lt;br /&gt;
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en cualquiera sazón, en todo tiempo…''&lt;br /&gt;
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Cervantes&lt;br /&gt;
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'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
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No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia d Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, además, um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23 Fevereiro 2013. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49"/>
				<updated>2014-02-23T20:32:19Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
Yo he dado en Don Quijote pasatiempo&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
al pecho melancólico y mohíno &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
en cualquiera sazón, en todo tiempo…&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Cervantes'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div class=direita&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, ''&amp;quot;además&amp;quot;'', Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, ''además'', mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia d Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, además, um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha ''«le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...»''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Además'', o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: ''“Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”''. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até ''“soluções apócrifas”'' e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem ''“tecelão de ferros de lanças”'' – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – ''«¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?»'' – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
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[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
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				<updated>2014-02-23T20:29:03Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;  &lt;br /&gt;
Yo he dado en Don Quijote pasatiempo &lt;br /&gt;
al pecho melancólico y mohíno &lt;br /&gt;
en cualquiera sazón, en todo tiempo…&lt;br /&gt;
'''Cervantes'''&lt;br /&gt;
'''''Viaje del Parnaso'''''.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
No original, Cervantes começa o capítulo 48 da segunda parte do Quixote assinalando mais uma vez que a passagem entre dois episódios não coincide necessariamente com a divisão dos capítulos. Neste caso, además, Cervantes, que começa justamente por este mesmo adverbio, faz alusão directa ao comentário que ele mesmo tinha feito nos versos 22 a 24 do quarto capítulo do seu Viaje del Parnaso. Se faltasse ainda alguma prova do monumental puzzle de materiais e (auto)referencias com o qual o autor compus este livro ímpar, fique aqui mais uma pequena amostra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O recurso a digressão, además, mostra também a autonomia que Sancho tem ganhado nesta segunda parte da obra, até chegar a plena independência nestes capítulos referentes a ínsula Barataria. Sem ele, o seu lugar será neste capítulo ocupado pela Dona Rodrigues, e o capítulo todo será composto como se de um passo de entremez se tratasse. E não faltara nele nenhum dos ingredientes com os quais estes eram construídos, nem a lembrança clássica aos amores, nem a critica as donas, nem as figuras estranhas e tipificadas, e nem sequer o final a escuras e o enxerto de porrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Además, ainda há mais: sobre esta teia, Cervantes, pinta ainda certos elementos essenciais e característicos de toda a obra. Assim, o cavaleiro que espera ver-se confrontado com Altisidora para encontrar-se frente a uma Dona que por sua vez confunde com uma aparição diabólica reflecte perfeitamente o contraste entre a imaginação e a realidade, e bem que possa parecer atenuado, não difere em muito com quem confunde rebanhos com exércitos ou molinhos com gigantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cervantes não se priva, nem nos priva a nos, de incluir dentro desta historia outras historias e situações que ficam nela encaixadas, como é o caso de, dentro da historia d Dona e a da filha que ela vai-nos contar, incluir a do marido, ou a do aguazil, dando com isto, además, um ar de sucesso real àquilo que é referido. Também não deixa de tocar no tema das relações entre classes sociais, assunto este que reaparece uma e outra vez de maneira mais ou menos explícita e especialmente neste período no palácio e, dentro deste, aquele que é o da estancia de Sancho na ínsula. Tudo um jogo de caixas chinesas onde as coisas e os temas e assuntos se encaixam os uns nos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso, Cervantes chega incluso a referir a cumplicidade e aliança entre a nobreza e o campesinos ricos, tema típico de boa parte do teatro da época, ao fazer-nos saber que o duque não intervenha na demanda de Dona Rodrigues devido a que o pai do sedutor da filha «le presta dineros y le sale por fiador de sus trampas...».&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Además, o que no começo da obra parecia afectar só a Sancho, a saber o contagio da loucura de Dom Quixote, parece ir afectando já agora em maior ou menor medida a todos aqueles que de um modo ou outro se relacionam com o nosso cavaleiro. Como já sabemos uns intentando fazer voltar o herói a realidade, outros com a escusa das burlas, e outros ainda, como Dona Rodrigues, quase que directamente: dir-se-ia que a loucura de Dom Quixote atrai e revela outras loucuras e com isto parece como se a realidade de mais em mais coincidisse com a loucura e paradoxalmente só a mistura de ambas permitisse encontrar uma solução positiva aos assuntos, aquilo que hoje chamamos sustentabilidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos assim a ronda nocturna de Sancho. Com ela, no capítulo 49 Cervantes volta a encontrar-se uma vez mais com o problema de como fazer para dar credibilidade ao facto de ter que atribuir ao iletrado escudeiro uma linguagem que dificilmente lhe seria natural. E outra vez encontra uma solução brilhante e original: “Todos los que conocían a Sancho Panza – nos diz Cervantes – se admiraban oyéndole hablar tan elegantemente y no sabían a qué atribuirlo, sino a que los oficios y cargos graves o adoban o entorpecen los entendimientos”. E uma vez mais, o autor que já tinha passado por encontrar até “soluções apócrifas” e de atribuição duvidosa, consegue surpreender-nos com o seu leque de invenções, sempre geniais e únicas. O tema da ronda já aparecia em alguma novela picaresca e em alguns entremezes, nestas obras as rondas dão lugar a uma profusão de burlas que sofrem guardas e alguazis de justiça que neles se encontram. Dos três casos que Cervantes expõe na Barataria, só parece fazer referencia a esse mundo o cómico dialogo entre o governador e o jovem “tecelão de ferros de lanças” – expressão esta alias, que muito provavelmente tenha conotações eróticas sobre tudo que depois faz referencia a um provável futuro encontro nessa saída a “apanhar ar” a qual o moço se dizia destinado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um tom muito diferente tem os outros dois o do jogador ganancioso e o terceiro, o mais desenvolvido deles todos e que não deixa de relembrar até na sua apresentação as historias e  aventuras novelescas. A linda jovem vestida de homem, tão referenciada em toda a literatura da novela de aventuras e dos comediógrafos da época – basta pensar no próprio Cervantes do Persiles e no Shakespeare da maioria das suas comedias – tal vez tente fazer o leitor predispor-se a algum enredo sentimental ao estilo do de Dorotea. Assim,. Incluso, parece entender-lo o próprio Sancho – «¿...no os ha sucedido otro desmán alguno, ni celos, como vos al principio de vuestro cuento dijistes, no os sacaron de vuestra casa?» – mas não haverá tal e a aventura à qual podia esperar encontrar-se o leitor revela-se uma simples escapadela infantil : Barataria finalmente não é o mundo do revês nem a ilha da Utopia, nem tão pouco um lugar no qual se de nascimento a quaisquer aventura ou enredo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma última remarca, muito pessoal e sem nenhuma base de sustentação: e não será a ronda nocturna de Sancho que em certo modo tenha dado origem ao maravilhoso quadro de Rembrandt pintada por volta de 1640-42? A pesar do serio ao que a célebre pintura parece referir, o facto de nele se encontrar só uma jovem – que disse-se poder ser o retrato da primeira mulher do artista morta de tuberculose nesse mesmo ano de 42 – entre todos os homens finalmente bem poderia ser uma ligeira pista. E nos conhecemos muito bem e já temos falado muito das maravilhosas edições tempranas do Quixote em flandres...&lt;br /&gt;
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[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ49</id>
		<title>DQ49</title>
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				<updated>2014-02-23T20:26:12Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ronda_nocturna.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o mesmo parágrafo em que conhecemos a Sancho – e já passaram desde então 90 capítulos, um prólogo e mais de dez anos – Dom Quixote prometeu dar-lhe o governo de uma ínsula. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito se tem escrito, elaborado e interpretado sobre este episodio que sem dúvida é muito especial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a consideração de Barataria como lugar utópico no qual triunfa a razão natural sobre a imposição, até a representação carnavalesca do mundo que contem. Mas Barataria não parece querer representar uma situação de mundo ao inverso, e desde o começo Cervantes parece querer dar isso a entender ao por essas primeiras reflexões sobre o abuso no uso de títulos, neste caso do dom – um bocado ao modo que hoje em dia se estende o senhor doutor em qualquer bar lisboeta, não é verdade senhor ingenheiro? – nas palavras de Sancho. Estas, alem de surgir em conformidade com ideias que deviam ser conformes a um dos tópicos da Espanha do 1600, também dão-nos de começo uma clara pista que o governo de Sancho será surpreendentemente sensato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim ao flamante governador são-lhe expostos três primeiros pleitos. O primeiro deles muito provavelmente seja tirado da tradição oral, se esse for o caso, Cervantes tira partido duplamente,  já que, primeiro o eleva a categoria de “literário”, mas também de este modo deixa aberta a possibilidade de que Sancho conhecesse a historia por esta fazer parte do folklore hispano, e assim soubesse como resolve-lo de modo tão “salomónico”. Os que lhe seguem, por sua vez, provém da tradição escrita, o do báculo aparece em várias compilações de livros de Exempla  - ao modo das Historias Ejemplares do proprio Cervantes – e o da mulher supostamente violada e referido num compendio de 1531 de fray Francisco de Osuna: Norte de los estados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas dar resolução a estes casos pressupõe uma sagacidade e inteligência muito acima da media que nos leva seja a evocar o louco clarividente erasmiano, seja imaginar que estas vinham também da tradição oral. Segundo os preceitistas da época os escritores deviam manter-se dentro do verosímil, e Cervantes não ignorava esta regra, mas como veremos mais para frente, todo este grupo de capítulos que contam a governança de Sancho na Barataria, assentam no principio do “burlador burlado” como até virá a confessar o mordomo do duque no capítulo 49. O leitor, deste modo, se não fica do lado do burlado, fica, pelo menos, do lado do desconcerto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Intercalam-se com a governança os acontecimentos no palácio entre DQ e Altisidora. DQ  tenta acalmar os ardores da apaixonada donzela retribuindo o canto. Mas enquanto o faz a sua estancia é alvo de uma invasão inesperada, que dará lugar a uma “desigual batalla” entre o cavaleiro e um tropel de gatos. Um ataque vil, que só poderia vir da mão de encantadores ciumentos e perversos. Os arranhões serão tais que durante sete dias o nosso herói não poderá aparecer em público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O regresso a Barataria se faz a traves de um tema tradicional, o da comida escamoteada, que fora tratado em imensos relatos e entremeses, e que faz parte da tradição oral. Cervantes parece querer indicar-nos isto mesmo ao representar outra vez o tema, que já tinha sido tratado no episodio das bodas de Camacho, mas esta vez faze-lo num tom que é inequivocamente o da representação teatral. Cervantes encena assim a “conspiração infernal” com a qual o possuidor de riqueza – o duque –, ao que vem somar-se o detentor de saber – o médico –, conseguem submeter ao indigente e indefeso estômago de Panza. Ainda mais que nas cenas judicias estamos no terreno da burla. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguir-se-ão os impertinentes pedidos do lavrador Miguel Turra e o próprio Cervantes vincula os episódios: “Mais um Tirteafora temos!”, mas Sancho terá dado já os primeiros sinais de desengano em relação as delicias e maravilhas do poder. A sua paciência não parece ser tão sólida quanto o mostrou ser o seu engenho, enfurece-se frente ao lavrador ameaçando romper-lhe a cabeça – como já tinha feito frente ao médico – e Cervantes sublinha subtilmente esta sua perca de controlo a traves da linguagem: Sancho abandona os cultismos que tinha utilizado no tribunal para refugiar-se alinhando refrães e assim deixando de seguir os conselhos do seu amo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; AGZ – 7 de Fevereiro de 2013. &amp;lt;/div class=direita&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap49/default.htm CAPÍTULO XLIX]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]], [[DQ48| 10 FEV]]     &lt;br /&gt;
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{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: Criou nova página com '{{menu secção 2}}   Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal]   comissariado por Alvaro García de Zúñiga, [http://www.teatrosaolui...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[image:Barataria.png]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''Sessão 49 – Segunda, 24 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 48 e 49 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o mesmo parágrafo em que conhecemos a Sancho – e já passaram desde então 90 capítulos, um prólogo e mais de dez anos – Dom Quixote prometeu dar-lhe o governo de uma ínsula. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito se tem escrito, elaborado e interpretado sobre este episodio que sem dúvida é muito especial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a consideração de Barataria como lugar utópico no qual triunfa a razão natural sobre a imposição, até a representação carnavalesca do mundo que contem. Mas Barataria não parece querer representar uma situação de mundo ao inverso, e desde o começo Cervantes parece querer dar isso a entender ao por essas primeiras reflexões sobre o abuso no uso de títulos, neste caso do dom – um bocado ao modo que hoje em dia se estende o senhor doutor em qualquer bar lisboeta, não é verdade senhor ingenheiro? – nas palavras de Sancho. Estas, alem de surgir em conformidade com ideias que deviam ser conformes a um dos tópicos da Espanha do 1600, também dão-nos de começo uma clara pista que o governo de Sancho será surpreendentemente sensato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim ao flamante governador são-lhe expostos três primeiros pleitos. O primeiro deles muito provavelmente seja tirado da tradição oral, se esse for o caso, Cervantes tira partido duplamente,  já que, primeiro o eleva a categoria de “literário”, mas também de este modo deixa aberta a possibilidade de que Sancho conhecesse a historia por esta fazer parte do folklore hispano, e assim soubesse como resolve-lo de modo tão “salomónico”. Os que lhe seguem, por sua vez, provém da tradição escrita, o do báculo aparece em várias compilações de livros de Exempla  - ao modo das Historias Ejemplares do proprio Cervantes – e o da mulher supostamente violada e referido num compendio de 1531 de fray Francisco de Osuna: Norte de los estados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas dar resolução a estes casos pressupõe uma sagacidade e inteligência muito acima da media que nos leva seja a evocar o louco clarividente erasmiano, seja imaginar que estas vinham também da tradição oral. Segundo os preceitistas da época os escritores deviam manter-se dentro do verosímil, e Cervantes não ignorava esta regra, mas como veremos mais para frente, todo este grupo de capítulos que contam a governança de Sancho na Barataria, assentam no principio do “burlador burlado” como até virá a confessar o mordomo do duque no capítulo 49. O leitor, deste modo, se não fica do lado do burlado, fica, pelo menos, do lado do desconcerto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Intercalam-se com a governança os acontecimentos no palácio entre DQ e Altisidora. DQ  tenta acalmar os ardores da apaixonada donzela retribuindo o canto. Mas enquanto o faz a sua estancia é alvo de uma invasão inesperada, que dará lugar a uma “desigual batalla” entre o cavaleiro e um tropel de gatos. Um ataque vil, que só poderia vir da mão de encantadores ciumentos e perversos. Os arranhões serão tais que durante sete dias o nosso herói não poderá aparecer em público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O regresso a Barataria se faz a traves de um tema tradicional, o da comida escamoteada, que fora tratado em imensos relatos e entremeses, e que faz parte da tradição oral. Cervantes parece querer indicar-nos isto mesmo ao representar outra vez o tema, que já tinha sido tratado no episodio das bodas de Camacho, mas esta vez faze-lo num tom que é inequivocamente o da representação teatral. Cervantes encena assim a “conspiração infernal” com a qual o possuidor de riqueza – o duque –, ao que vem somar-se o detentor de saber – o médico –, conseguem submeter ao indigente e indefeso estômago de Panza. Ainda mais que nas cenas judicias estamos no terreno da burla. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguir-se-ão os impertinentes pedidos do lavrador Miguel Turra e o próprio Cervantes vincula os episódios: “Mais um Tirteafora temos!”, mas Sancho terá dado já os primeiros sinais de desengano em relação as delicias e maravilhas do poder. A sua paciência não parece ser tão sólida quanto o mostrou ser o seu engenho, enfurece-se frente ao lavrador ameaçando romper-lhe a cabeça – como já tinha feito frente ao médico – e Cervantes sublinha subtilmente esta sua perca de controlo a traves da linguagem: Sancho abandona os cultismos que tinha utilizado no tribunal para refugiar-se alinhando refrães e assim deixando de seguir os conselhos do seu amo.&lt;br /&gt;
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[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap48/default.htm CAPÍTULO XLVIII]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=P%C3%A1gina_principal</id>
		<title>Página principal</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=P%C3%A1gina_principal"/>
				<updated>2014-02-23T20:23:09Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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[[Ler Dom Quixote 3 | A terceira temporada de Ler Dom Quixote no Teatro São Luiz começou na segunda-feira 30 de Setembro 2013 !!!]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no [http://www.ccb.pt/sites/ccb/en-EN/Pages/default.aspx| '''CCB'''] em Maio 2014&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''&amp;amp;''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:escipion.jpg|180dpx]]  [[La Numancia]] de [http://bib.cervantesvirtual.com/bib_autor/Cervantes/ ''Miguel de Cervantes'']&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;'''e depois...'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:pasdedance.jpg|180dpx]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Voir_plus Ver mais]'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; ...&amp;amp; &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; e falando de escrita : &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''¿Que es esto?'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;'''[[Arquivo de notícias]]'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Este é um site tendencialmente multilíngue... por isso as versões nas diferentes línguas não são iguais e podem às vezes até ser poluídas com línguas outras...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todo o caso, para facilitar, a informação vai sendo arrumada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/es espanhol] [[image:Bandeira-Espanha.jpg|15px]], &lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/fr francês] [[image:Bandeira-França.jpg|15px]] &lt;br /&gt;
e há também conteúdos em [http://blablalab.net/de/index.php?title=Hauptseite alemão] [[image:Bandeira-Alemanha.gif|15px]] &lt;br /&gt;
e em [http://blablalab.net/en/index.php?title=Main_Page inglês]  [[image:Bandeira-UK.jpg|15px]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa visita!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ48</id>
		<title>DQ48</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ48"/>
				<updated>2014-02-07T15:54:25Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Barataria.png]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 48 – Segunda, 10 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 45, 46 e 47 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o mesmo parágrafo em que conhecemos a Sancho – e já passaram desde então 90 capítulos, um prólogo e mais de dez anos – Dom Quixote prometeu dar-lhe o governo de uma ínsula. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito se tem escrito, elaborado e interpretado sobre este episodio que sem dúvida é muito especial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a consideração de Barataria como lugar utópico no qual triunfa a razão natural sobre a imposição, até a representação carnavalesca do mundo que contem. Mas Barataria não parece querer representar uma situação de mundo ao inverso, e desde o começo Cervantes parece querer dar isso a entender ao por essas primeiras reflexões sobre o abuso no uso de títulos, neste caso do dom – um bocado ao modo que hoje em dia se estende o senhor doutor em qualquer bar lisboeta, não é verdade senhor ingenheiro? – nas palavras de Sancho. Estas, alem de surgir em conformidade com ideias que deviam ser conformes a um dos tópicos da Espanha do 1600, também dão-nos de começo uma clara pista que o governo de Sancho será surpreendentemente sensato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim ao flamante governador são-lhe expostos três primeiros pleitos. O primeiro deles muito provavelmente seja tirado da tradição oral, se esse for o caso, Cervantes tira partido duplamente,  já que, primeiro o eleva a categoria de “literário”, mas também de este modo deixa aberta a possibilidade de que Sancho conhecesse a historia por esta fazer parte do folklore hispano, e assim soubesse como resolve-lo de modo tão “salomónico”. Os que lhe seguem, por sua vez, provém da tradição escrita, o do báculo aparece em várias compilações de livros de Exempla  - ao modo das Historias Ejemplares do proprio Cervantes – e o da mulher supostamente violada e referido num compendio de 1531 de fray Francisco de Osuna: Norte de los estados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas dar resolução a estes casos pressupõe uma sagacidade e inteligência muito acima da media que nos leva seja a evocar o louco clarividente erasmiano, seja imaginar que estas vinham também da tradição oral. Segundo os preceitistas da época os escritores deviam manter-se dentro do verosímil, e Cervantes não ignorava esta regra, mas como veremos mais para frente, todo este grupo de capítulos que contam a governança de Sancho na Barataria, assentam no principio do “burlador burlado” como até virá a confessar o mordomo do duque no capítulo 49. O leitor, deste modo, se não fica do lado do burlado, fica, pelo menos, do lado do desconcerto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Intercalam-se com a governança os acontecimentos no palácio entre DQ e Altisidora. DQ  tenta acalmar os ardores da apaixonada donzela retribuindo o canto. Mas enquanto o faz a sua estancia é alvo de uma invasão inesperada, que dará lugar a uma “desigual batalla” entre o cavaleiro e um tropel de gatos. Um ataque vil, que só poderia vir da mão de encantadores ciumentos e perversos. Os arranhões serão tais que durante sete dias o nosso herói não poderá aparecer em público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O regresso a Barataria se faz a traves de um tema tradicional, o da comida escamoteada, que fora tratado em imensos relatos e entremeses, e que faz parte da tradição oral. Cervantes parece querer indicar-nos isto mesmo ao representar outra vez o tema, que já tinha sido tratado no episodio das bodas de Camacho, mas esta vez faze-lo num tom que é inequivocamente o da representação teatral. Cervantes encena assim a “conspiração infernal” com a qual o possuidor de riqueza – o duque –, ao que vem somar-se o detentor de saber – o médico –, conseguem submeter ao indigente e indefeso estômago de Panza. Ainda mais que nas cenas judicias estamos no terreno da burla. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguir-se-ão os impertinentes pedidos do lavrador Miguel Turra e o próprio Cervantes vincula os episódios: “Mais um Tirteafora temos!”, mas Sancho terá dado já os primeiros sinais de desengano em relação as delicias e maravilhas do poder. A sua paciência não parece ser tão sólida quanto o mostrou ser o seu engenho, enfurece-se frente ao lavrador ameaçando romper-lhe a cabeça – como já tinha feito frente ao médico – e Cervantes sublinha subtilmente esta sua perca de controlo a traves da linguagem: Sancho abandona os cultismos que tinha utilizado no tribunal para refugiar-se alinhando refrães e assim deixando de seguir os conselhos do seu amo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; AGZ – 7 de Fevereiro de 2013. &amp;lt;/div class=direita&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap45/default.htm CAPÍTULO XLV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap46/default.htm CAPÍTULO XLVI]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap47/default.htm CAPÍTULO XLVII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]], [[DQ47| 27 JAN]]     &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ48</id>
		<title>DQ48</title>
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				<updated>2014-02-07T15:47:28Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
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&lt;br /&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
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comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Barataria.png]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 48 – Segunda, 10 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 45, 46 e 47 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o mesmo parágrafo em que conhecemos a Sancho – e já passaram desde então 90 capítulos, um prólogo e mais de dez anos – Dom Quixote prometeu dar-lhe o governo de uma ínsula. &lt;br /&gt;
Muito se tem escrito, elaborado e interpretado sobre este episodio que sem dúvida é muito especial. Desde a consideração de Barataria como lugar utópico no qual triunfa a razão natural sobre a imposição, até a representação carnavalesca do mundo que contem. Mas Barataria não parece querer representar uma situação de mundo ao inverso, e desde o começo Cervantes parece querer dar isso a entender ao por essas primeiras reflexões sobre o abuso no uso de títulos, neste caso do dom – um bocado ao modo que hoje em dia se estende o senhor doutor em qualquer bar lisboeta, não é verdade senhor ingenheiro? – nas palavras de Sancho. Estas, alem de surgir em conformidade com ideias que deviam ser conformes a um dos tópicos da Espanha do 1600, também dão-nos de começo uma clara pista que o governo de Sancho será surpreendentemente sensato.&lt;br /&gt;
Assim ao flamante governador são-lhe expostos três primeiros pleitos. O primeiro deles muito provavelmente seja tirado da tradição oral, se esse for o caso, Cervantes tira partido duplamente,  já que, primeiro o eleva a categoria de “literário”, mas também de este modo deixa aberta a possibilidade de que Sancho conhecesse a historia por esta fazer parte do folklore hispano, e assim soubesse como resolve-lo de modo tão “salomónico”. Os que lhe seguem, por sua vez, provém da tradição escrita, o do báculo aparece em várias compilações de livros de Exempla  - ao modo das Historias Ejemplares do proprio Cervantes – e o da mulher supostamente violada e referido num compendio de 1531 de fray Francisco de Osuna: Norte de los estados. &lt;br /&gt;
Mas dar resolução a estes casos pressupõe uma sagacidade e inteligência muito acima da media que nos leva seja a evocar o louco clarividente erasmiano, seja imaginar que estas vinham também da tradição oral. Segundo os preceitistas da época os escritores deviam manter-se dentro do verosímil, e Cervantes não ignorava esta regra, mas como veremos mais para frente, todo este grupo de capítulos que contam a governança de Sancho na Barataria, assentam no principio do “burlador burlado” como até virá a confessar o mordomo do duque no capítulo 49. O leitor, deste modo, se não fica do lado do burlado, fica, pelo menos, do lado do desconcerto.&lt;br /&gt;
Intercalam-se com a governança os acontecimentos no palácio entre DQ e Altisidora. DQ  tenta acalmar os ardores da apaixonada donzela retribuindo o canto. Mas enquanto o faz a sua estancia é alvo de uma invasão inesperada, que dará lugar a uma “desigual batalla” entre o cavaleiro e um tropel de gatos. Um ataque vil, que só poderia vir da mão de encantadores ciumentos e perversos. Os arranhões serão tais que durante sete dias o nosso herói não poderá aparecer em público.&lt;br /&gt;
O regresso a Barataria se faz a traves de um tema tradicional, o da comida escamoteada, que fora tratado em imensos relatos e entremeses, e que faz parte da tradição oral. Cervantes parece querer indicar-nos isto mesmo ao representar outra vez o tema, que já tinha sido tratado no episodio das bodas de Camacho, mas esta vez faze-lo num tom que é inequivocamente o da representação teatral. Cervantes encena assim a “conspiração infernal” com a qual o possuidor de riqueza – o duque –, ao que vem somar-se o detentor de saber – o médico –, conseguem submeter ao indigente e indefeso estômago de Panza. Ainda mais que nas cenas judicias estamos no terreno da burla. &lt;br /&gt;
Seguir-se-ão os impertinentes pedidos do lavrador Miguel Turra e o próprio Cervantes vincula os episódios: “Mais um Tirteafora temos!”, mas Sancho terá dado já os primeiros sinais de desengano em relação as delicias e maravilhas do poder. A sua paciência não parece ser tão sólida quanto o mostrou ser o seu engenho, enfurece-se frente ao lavrador ameaçando romper-lhe a cabeça – como já tinha feito frente ao médico – e Cervantes sublinha subtilmente esta sua perca de controlo a traves da linguagem: Sancho abandona os cultismos que tinha utilizado no tribunal para refugiar-se alinhando refrães e assim deixando de seguir os conselhos do seu amo.&lt;br /&gt;
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[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap45/default.htm CAPÍTULO XLV]&lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ48</id>
		<title>DQ48</title>
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				<updated>2014-02-07T15:44:32Z</updated>
		
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'''Sessão 48 – Segunda, 10 de Fevereiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 45, 46 e 47 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ dá a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma série de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes traz à prosa e à arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe uma maior ênfase nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se dava as aparências e ao facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho através de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo na hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece deste modo sugerir a sua adesão à posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre a questão de saber se o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ se imagina um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética ou metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social apenas através das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referência aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as crítica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artifício das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integrá-lo nos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos acontecimentos relacionados com a história principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e pouco convencional e o faça aliás no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto senão fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar posse do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na história. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se à sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a duras provas a sua inquebrantável fidelidade à sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrário absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referência a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; AGZ&lt;br /&gt;
24 de Janeiro de 2014 &amp;lt;/div class=direita&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap43/default.htm CAPÍTULO XLIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap44/default.htm CAPÍTULO XLIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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&lt;div&gt;[[image:Barataria.png]]&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: Criou nova página com '[image:Barataria.png]'&lt;/p&gt;
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Menu Principal}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Ler Dom Quixote 3 | A terceira temporada de Ler Dom Quixote no Teatro São Luiz começou na segunda-feira 30 de Setembro 2013 !!!]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;◊ ◊ ◊&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
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'''[[38| 38]]'''&lt;br /&gt;
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[[image:FMR_38_ensaio.JPG|150dpx]]    &lt;br /&gt;
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[[image:38front.jpg|150dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[http://teatrodarainha38.blogspot.pt/ O blog do 38]''' com textos de '''Fernando Mora Ramos'''&lt;br /&gt;
e '''Alvaro García de Zúñiga'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
('''[http://www.teatro-da-rainha.com/index.html Teatro da Rainha] &amp;amp; blablalab''')&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto de [[Media:38def.pdf|'''38''' com e sem silenciador (as coisas vêm-se segundo o lugar de onde se ouvem) '''38 ideias e medidas desmedidas divididas em partes longas e curtas, pre, re e cortadas de 38 % (o que afinal vem a dar 23,56) sobre a teatral desteatralização do teatro, da cultura em geral, e de FeRandom Nora Vamos em particular.''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;◊ ◊ ◊&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''em 2014 :'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; '''[[Macb... e...Th...e Scottish Play]]''' de [http://blablalab.net/pt/index.php?title=Imaginar_Shakespeare ''William Shakespeare'']         [[image:scottish_play.jpg|150dpx]]&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pelo '''[http://www.ensembledeactores.com/ Ensemble - sociedade de Atores]''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no [http://www.ccb.pt/sites/ccb/en-EN/Pages/default.aspx| '''CCB'''] em Maio 2014&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''&amp;amp;''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:escipion.jpg|180dpx]]  [[La Numancia]] de [http://bib.cervantesvirtual.com/bib_autor/Cervantes/ ''Miguel de Cervantes'']&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''e depois...'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retoma dos '''[[Exercices de Frustration]]''' seguidos da criação do [http://blablalab.net/fr/images/2/27/MDDpresentation.pdf '''Manuel de-dé-danse'''], de ''''[[Alvaro Garcia de Zuniga]]''' encenados pelo autor com a participação de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Thusnelda_Mercy Thusnelda Mercy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Clémentine_Deluy Clémentine Deluy]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Johanna_Korthals_Altès Johanna Korthals Altès]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Alínea_B._Issilva Alinea Berlitz Issilva]''', '''[[William Nadylam]]''', '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]''',  '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Matthias_Breitenbach Matthias Breitenbach]''' &amp;amp; ... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:pasdedance.jpg|180dpx]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Voir_plus Ver mais]'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[image:berlin1.jpg|60px]] '''Manuel wohnen ''Live'' im Berlin''' ...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:eduardo&amp;amp;teresa.jpg|80px]] '''Le Spectacle de Baumol''' &amp;amp; '''Bowen, segundas partes nunca foram boas''', de [[Alvaro García de Zúñiga]] par [[Alínea Berlitz Issilva]] et [[Eduardo Raon]] prévue au TNSJ de Porto &amp;amp; São Luiz Teatro Municipal  de Lisboa, em data a confirmar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; ...&amp;amp; &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:4fingers.jpg|90dpx]] E ainda ontinúa sem ser escrita '''4''' (4 re-interpretações de obras de outros artistas para serem ditas por atores baixo o olhar de '''[http://blablalab.net/fr/index.php?title=Robert_Cantarella Robert Cantarella]'''. Projeto performativo integrado no programa do '''REDCAT - Cal.Arts''' – Los Angeles, California)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt; e falando de escrita : &amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''¿Que es esto?'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Media:Que_es_esto.pdf|'''''“¿Que es esto? Si mi padre viviera diría “¿qué es esto?”''', afirma Juan Carlos Rulfo” por Alfredo Bryce Echenique“]] um novo conto de [[Alvaro García de Zúñiga]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Mais informação em breve)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt;'''mais sobre [http://blablalab.net/pt/index.php?title=2 Teatro], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=1 Escrita], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=3 Filmes], [http://blablalab.net/pt/index.php?title=4 Peças acústicas]...'''&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Ver também [http://blablalab.net/fr/index.php?title=Textes_de_pièces_de_théâtre_d%27Alvaro_García_de_Zúñiga textos de Peças de Alvaro García de Zúñiga] e [[excertos sonoros]] de peças acústicas.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:And_so_on.gif|50px]]&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;'''[[Arquivo de notícias]]'''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Careful_mix_copy.jpg|right|40px]]&lt;br /&gt;
Caros internautas,&lt;br /&gt;
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Este é um site tendencialmente multilíngue... por isso as versões nas diferentes línguas não são iguais e podem às vezes até ser poluídas com línguas outras...&lt;br /&gt;
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Em todo o caso, para facilitar, a informação vai sendo arrumada&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/es espanhol] [[image:Bandeira-Espanha.jpg|15px]], &lt;br /&gt;
em [http://blablalab.net/fr francês] [[image:Bandeira-França.jpg|15px]] &lt;br /&gt;
e há também conteúdos em [http://blablalab.net/de/index.php?title=Hauptseite alemão] [[image:Bandeira-Alemanha.gif|15px]] &lt;br /&gt;
e em [http://blablalab.net/en/index.php?title=Main_Page inglês]  [[image:Bandeira-UK.jpg|15px]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa visita!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Direitos Reservados}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=Ficheiro:Barataria.png</id>
		<title>Ficheiro:Barataria.png</title>
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				<updated>2014-02-07T15:39:01Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
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				<updated>2014-01-24T17:33:34Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e pouco convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; AGZ&lt;br /&gt;
24 de Janeiro de 2014 &amp;lt;/div class=direita&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap43/default.htm CAPÍTULO XLIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap44/default.htm CAPÍTULO XLIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]]     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47</id>
		<title>DQ47</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47"/>
				<updated>2014-01-24T17:32:49Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e poço convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap43/default.htm CAPÍTULO XLIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap44/default.htm CAPÍTULO XLIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
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[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47</id>
		<title>DQ47</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47"/>
				<updated>2014-01-24T17:32:10Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e poço convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
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Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
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[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

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		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47</id>
		<title>DQ47</title>
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				<updated>2014-01-24T17:31:36Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
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[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
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'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e poço convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=direita&amp;gt; AGZ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
24 de Janeiro de 2014 &amp;lt;/div class=direita&amp;gt; &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;***&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap43/default.htm CAPÍTULO XLIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap44/default.htm CAPÍTULO XLIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;[[image:LERDOMQUIXOTEnew.jpg|120dpx]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]]     &lt;br /&gt;
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&amp;lt;center&amp;gt;[[Ler Dom Quixote]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{voltar secção 2}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47</id>
		<title>DQ47</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47"/>
				<updated>2014-01-24T17:30:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{menu secção 2}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e poço convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
links úteis : &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap43/default.htm CAPÍTULO XLIII]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://cvc.cervantes.es/literatura/clasicos/quijote/edicion/parte2/cap44/default.htm CAPÍTULO XLIV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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''Sessões anteriores''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[DQ1|20 SET]], [[DQ2|4 OUT]], [[DQ3|25 OUT]], [[DQ4|15 NOV]], [[DQ5|29 NOV]], [[DQ6|13 DEZ]], &lt;br /&gt;
[[DQ7|24 JAN]], [[DQ8|7 FEV]], [[DQ9|28 FEV]], [[DQ10|13 MAR]], [[DQ11|27 MAR]], [[DQ12|10 ABR]], [[DQ13|24 ABR]], [[DQ14|8 MAI]], [[DQ15|22 MAI]], [[DQ16|5 JUN]], [[DQ17|19 JUN]], [[DQ18|3 JUL]], [[DQ19|25 SET]], [[DQ20|09 OUT]], [[DQ21|23 OUT]], [[DQ22|06 NOV]], [[DQ23|13 NOV]], [[DQ24|27 NOV]], [[DQ25|11 DEZ]], [[DQ26|08 JAN]], [[DQ27|22 JAN]], [[DQ28|05 FEV]], [[DQ29|19 FEV]], [[DQ30|5 MAR]], [[DQ31|19 MAR]], [[DQ32|2 ABR]], [[DQ33|16 ABR]], [[DQ34|30 ABR]], [[DQ35|14 MAI]], [[DQ36|28 MAI]], [[DQ37|18 JUN]], [[DQ38| 2 JUL]], [[DQ39| 9 JUL]], [[DQ40| 30 SET]], [[DQ41| 14 OUT]], [[DQ42| 28 OUT]], [[DQ43| 18 NOV]], [[DQ44| 2 DIC]], [[DQ45| 16 DIC]], [[DQ46| 13 JAN]]     &lt;br /&gt;
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		<author><name>Alvaro</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47</id>
		<title>DQ47</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.blablalab.com/pt/index.php?title=DQ47"/>
				<updated>2014-01-24T17:28:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;Alvaro: &lt;/p&gt;
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Um projecto do [http://www.teatrosaoluiz.pt/ São Luiz Teatro Municipal] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
comissariado por [[Alvaro García de Zúñiga]], [http://www.teatrosaoluiz.pt/gca/?id=19/ José Luis Ferreira] &amp;amp; [[Teresa Albuquerque]]&lt;br /&gt;
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[[image:DQ_roto.jpg]]&lt;br /&gt;
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'''Sessão 47 – Segunda, 27 de Janeiro de 2014, 21:00 – Leitura dos capítulos 43 e 44 da ''Segunda Parte do Engenhoso Cavaleiro Dom Quixote de la Mancha.&amp;quot;'''''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizíamos no comentário aos capítulos 41 e 42 que talvez o mais extraordinário dos conselhos que DQ da a Sancho seja a simplicidade com que Cervantes os expõe, fazendo que estes se encontrem ao alcance imediato do leitor menos preparado ao mesmo tempo que, para um leitor mais atento, estes apareçam como uma serie de comentários a meio termo podendo entender-se como alusão aos preceitos que se encontram nos livros de cavalarias da época ou como sendo a sua subversão absoluta, e que esta é outra das novidades e grandezas que Cervantes aporta à prosa e a arte narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes “segundos conselhos” do capítulo 43 DQ põe um maior ênfases nos aspectos exteriores, na comida, no modo de falar, andar e vestir e até nas unhas, denunciando deste modo a importância que já naquele tempo se da as aparências e o facto que estas sejam percebidas e consideradas em muito como um elemento mais importante que os princípios no que respeita ao bom governar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sancho a traves de provérbios e ditos populares, expressa o seu sentido comum e a sua inteligência instintiva com a que demonstra o seu conhecimento da natureza humana que preanuncia o seu bom juízo a hora de vir a governar e tomar decisões. Cervantes parece de este modo sugerir a sua adesão a posição daqueles que consideram a lei natural superior à escrita, tema controverso no debate clássico sobre o facto que o bom governador nasce ou aprende a sê-lo.&lt;br /&gt;
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Mas os próprios comentários de Cervantes, por sua vez, são comentados pelo próprio, voltando a esse jogo de afirmações e contradições a que o genial escritor e tão afecto: Enquanto que Cide Hamete diz que os comentários de DQ são de “gran donaire” o comentador refere que estes têm o “don del Aire” ou seja que estão cheios de ar, vazios; e lá onde DQ cree-se um novo Catão ao estilo de Marco Porcio “o censor” pela sua habilidade em dar bons conselhos, Cervantes declara-se tacitamente um novo Catão pensando naquele que era apodado de “sereia latina” pela sua habilidade em criar poética o metaforicamente um contexto incisivo e satírico de crítica social só a través das palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O começo do capítulo 44 é um dos mais extraordinários de toda a novela. É muito difícil, por não dizer impossível, decifrar no plano em que este se situa, assim como o comentador do mesmo. Fazendo referencia aos problemas de tradução do capítulo, Cervantes comenta as critica que foram feitas e a sua aceitação das mesmas em relação ao artificio das novelas intercaladas, e é notável o modo que encontra para desenvolver o tema, ao integra-lo aos protestos que Benengeli faz contra o difícil que resulta atingir-se exclusivamente a narração dos sucessos relacionados com a historia principal sem comentar aquilo que é periférico. É particularmente surpreendente que um fragmento de tanta importância e significação teórica seja exposto de um modo tão burlesco e poço convencional e o faça alias no começo de um capítulo que não parece ter outro objecto que fazer a transição entre a estadia de Sancho no castelo e a viagem deste para tomar pose do governo da ínsula.&lt;br /&gt;
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Notável também é o facto do pouco espaço que ocupa a partida de Sancho, a pesar da importância que tem na historia. A partida, por sua vez, põe a descoberto a total solidão em que se encontra o cavaleiro sem a presença do seu escudeiro. A consequência directa desta solidão é que vão multiplicar-se a sua volta o que ele considerará como perigosos atentados e tentações que porão a dura prova a sua inquebrantável fidelidade a sua senhora Dulcineia. O tema será introduzido pela proposta da duquesa de que quatro das suas mais belas donzelas atendam ao serviço pessoal de DQ para remedar a falta do escudeiro, e vai chegar ao seu máximo desenvolvimento com a aparição de Altisidora.&lt;br /&gt;
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Com o disparatado romance cantado pela suposta apaixonada Cervantes invoca uma situação de mundo ao contrario absoluto, pondo em cena uma declaração de amor feita por uma lindíssima jovem de quinze anos a um velho cinquentão roto, desdentado, louco e alucinado. O canto de Altisidora não faz senão amplificar aquela que tinha sido a segunda intervenção de Cide Hamete: homenagem directa ao Lazarillo de Tormes, trata-se de uma referencia a uma pequena desgraça pessoal, apresentada como um delicado comentário ao tema da vergonhosa pobreza dos fidalgos sem recursos que faz eco ao assunto das aparências a que referia o próprio DQ nos seus conselhos sobre o bom governar.&lt;br /&gt;
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